Balanço do Merrill Lynch impede recuperação dos mercados

Bolsas mundiais abrem em alta, mas invertem tendência após anúncio de prejuízo do banco norte-americano

Agência Estado,

17 de janeiro de 2008 | 11h41

O balanço ruim divulgado nesta quinta-feira, 17, pelo banco norte-americano Merrill Lynch assustou os investidores e jogou por terra a recuperação que vinha sendo ensaiada nesta manhã pelo mercado global de ações. Após a abertura dos negócios da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o índice Bovespa subia 0,13%, a 58.853 pontos, na máxima do dia até às 11h04. Às 11h29, porém, o Ibovespa devolveu os ganhos e tinha queda de 0,12%, operando aos 58.704 pontos. Veja também:Merrill Lynch tem prejuízo de US$ 9,83 bi no 4º trimestre  Após o Merrill Lynch informar prejuízo no quarto trimestre do ano passado de US$ 9,83 bilhões, equivalente a US$ 12,01 por ação, quase três vezes mais que o previsto pelos analistas (US$ 4,57 por ação) e baixa contábil de US$ 11,5 bilhões no período, os índices acionários em Nova York viraram logo para o lado negativo, assim como as bolsas européias. Às 11h06, o futuro do S&P 500 caía 0,20%; já o futuro do Nasdaq-100 recuperou as forças e avançava 0,19%, no mesmo horário. Na Europa, a Bolsa de Londres recua 0,30%, enquanto a Bolsa da Alemanha tem leve alta de 0,05%.  Agora, a esperança do mercado é que o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben Bernanke, que fala às 13 horas (de Brasília) sobre as condições da economia em audiência do Comitê de Orçamento da Câmara, em Washington, consiga acalmar os investidores de forma mais sustentada. A avaliação geral é de que o comportamento nesta quinta e nos próximos dias vai depender muito do que for dito por Bernanke no início da tarde. Segundo o jornal norte-americano Wall Street Journal, o presidente do BC dos EUA deve apresentar seu apoio ao plano de estímulo econômico que está sendo discutido pelo governo George W. Bush.  A agenda do dia prevê também a divulgação de alguns indicadores, como o de construções de residências iniciadas nos Estados Unidos em dezembro do ano passado e o de pedidos semanais de auxílio-desemprego na semana encerrada no último sábado (dia 12). Além disso, o Fed da Filadélfia divulga às 13 horas o índice de atividade industrial regional de janeiro. Aqui, a expectativa é de que os investidores estrangeiros continuem saindo da Bovespa, seja para cobrir perdas no exterior ou com um movimento defensivo enquanto esperam passar essa tormenta financeira. "A euforia de venda deve continuar pressionando o mercado, concentrada em papéis de maior liquidez", segundo um operador. A Bovespa registrou, desde o início do ano saída de capital externo de R$ 1,821 bilhão.  Petróleo A cobertura de posições vendidas faz o petróleo operar em alta, mas as preocupações com a economia norte-americana persistem. Às 10h51 (de Brasília), o barril WTI para fevereiro operava com alta de 0,69%, em US$ 91,47 na Nymex eletrônica. Em Londres, o barril Brent para março subia 0,85%, para US$ 90,26.

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