Balanço do PAC é retrato de canteiro de obras em ano eleitoral

Governo pavimenta estrada para chegar ao final deste ano com grande expansão nas obras do programa

Beatriz Abreu, da Agência Estado,

22 de janeiro de 2008 | 13h30

O balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou nesta terça-feira, 22, é, simbolicamente, a estrada que o governo está pavimentando para chegar ao final deste ano, em pleno processo de eleições municipais, com um verdadeiro canteiro de obras em execução no País.  O aspecto positivo do PAC, como disse Dilma, é o de que "o ano de 2008 será um ano de muitas realizações". "O País de norte a sul com contratação em grande escala e um grande canteiro de obras em processo de viabilização", disse a ministra. A estratégia do governo no desenvolvimento do PAC foi permitir a expansão dos programas no segundo semestre do ano passado para que, ao longo de 2008, as obras estivessem a todo vapor.  Dilma reconhece que para atingir esse objetivo foi necessário construir uma maior interação com o ministério de Meio Ambiente, no caso da concessão de licenças ambientais, e com o Tribunal de Contas da União (TCU). "Foram importantes nesses últimos meses duas novas relações, com o TCU e na área de licenciamento ambiental", disse.  No ano passado, foram dramáticas para o governo as pendências criadas nessas esferas, que obstruíram o ritmo das realizações. Nesta terça, Dilma fez elogios públicos. "Devo prestar o reconhecimento público da grande sinergia e proatividade do TCU, dentro dos parâmetros de boa gestão, em destravar as ações do PAC. Isso foi muito importante para as nossas ações".  Ela não se esqueceu de citar a maior interatividade com governadores e prefeitos, este ano, para a execução dos projetos de investimento público. Afinal, a realização das obras tocadas pelo governo, mesmo que em parceria com o setor privado, trará melhoria nas condições de vida da população nos estados e municípios. 'Contra a corrente' A forma escolhida pelo governo para fazer o balanço de um ano de PAC - como modelo de expansão da atividade econômica e aumento dos investimentos privado e estatal - evidencia a disposição de remar contra a corrente internacional e apostar em mais um ano de crescimento da economia.  O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse claramente que a realização do PAC não colocou em risco os "sólidos fundamentos da economia". "O PAC conseguiu acelerar o crescimento mantendo a solidez das variáveis macroeconômicas", disse o ministro.  A aposta é que a crise do subprime - que colocou os Estados Unidos no epicentro do abalo das bolsas de valores e dos mercados financeiros globais - terá solução e não deverá desestruturar a economia de países emergentes, entre eles o Brasil, como as crises sistêmicas do passado.  Mantega insiste nesse cenário. Segundo ele, "nunca" o Brasil esteve "tão preparado e tão sólido para enfrentar uma crise dessa magnitude". "Imagine se isso estivesse acontecendo no passado? Como estariam a inflação, os juros e o crescimento econômico?", indagou.  O impulso da economia nos dois últimos anos, na avaliação do ministro da Fazenda, "seguirá em 2008". Ele admitiu que é uma "temeridade" fazer previsões porque, em geral, "economista erra muito", mas insistiu: "Conseguiremos realizar em 2008 um crescimento de 5%, uma inflação na meta de 4,5%, cumprir o superávit primário e manter a redução dívida em relação ao PIB".

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