Balanço externo depende dos ingressos de capital

Com reservas cambiais de US$ 380 bilhões, déficit da conta corrente próximo do esperado e investimentos estrangeiros diretos (IEDs) estimados em US$ 60 bilhões, neste ano, as contas cambiais de agosto podem ser vistas por seus aspectos favoráveis. Mas é o comércio externo o que mais importa - e aí a situação já se mostra menos risonha e franca.

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h08

Entre os primeiros oito meses de 2011 e de 2012, as exportações caíram de US$ 166,714 bilhões para US$ 160,598 bilhões, enquanto as importações aumentaram de US$ 146,727 bilhões para US$ 147,425 bilhões. O superávit comercial foi US$ 6,8 bilhões menor que o de 2011. Em parte, isso se deveu ao declínio do preço das commodities que o Brasil exporta, como o açúcar, a laranja e o café, além do minério de ferro. A economia global esfriou além do esperado.

Porém há mais do que isso: a Argentina, por exemplo, importou do Brasil US$ 2,5 bilhões menos do que em igual período do ano passado - o que corresponde a 37% da queda do déficit comercial. "A redução das compras com origem no Brasil foi mais drástica do que a de outros mercados em razão da pauta que existe entre os dois países", disse um economista da consultoria DNI. O governo não parece empenhado em discutir o ajuste que a Argentina vem fazendo.

O desestímulo à política de produção de álcool provoca também o aumento das importações de combustíveis e leva à piora da balança comercial - o déficit dos primeiros oito meses na conta combustíveis foi de US$ 8,24 bilhões, puxado pelas importações de petróleo e gasolina.

O atraso dos investimentos públicos que poderiam reduzir o custo Brasil mina a competitividade do produto local, não compensado pela desvalorização do real ante o dólar.

Do ponto de vista financeiro, é improvável que o Brasil enfrente maiores dificuldades para financiar o déficit na conta corrente, que foi de US$ 2,5 bilhões, em agosto (inferior ao de US$ 4,8 bilhões, de agosto de 2011), e de US$ 49,7 bilhões, nos últimos 12 meses, pois os ingressos de IEDs vêm superando o esperado.

Mas o equilíbrio cambial não deveria depender demais dos IEDs, da oferta de financiamentos e do superávit do agronegócio. E, em agosto, as contas também foram favorecidas por baixas remessas de juros e dividendos e pelo ingresso de um vultoso empréstimo intercompanhias, além do fluxo de recursos para o mercado acionário. Melhor seria investir mais no fortalecimento das exportações, que significam mais empregos e mais bens produzidos no País.

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