Balanço indica que melhor ano de Dilma Rousseff foi o primeiro

CENÁRIO: João Villaverde

O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h07

A seis meses das eleições, o governo Dilma Rousseff não tem mais dúvidas: do ponto de vista de elevação do Produto Interno Bruto (PIB), o melhor ano de sua gestão foi o primeiro. Nem a projeção mais otimista da equipe econômica aponta para um avanço superior a 2,5% para o PIB deste ano. Assim, a maior alta de todo o governo Dilma terá sido a taxa de 2,7% de 2011.

O primeiro ano de gestão também contou com o maior saldo comercial da "era Dilma". Em 2011, as exportações superaram as importações em US$ 29,5 bilhões, nível superior ao dos últimos três anos do governo Lula. A balança sofreu uma reversão radical desde então. O superávit caiu a apenas US$ 2,6 bilhões em 2013 e em 2014 a balança comercial apresenta déficit de US$ 6 bilhões entre janeiro e a segunda semana de abril.

Regressão semelhante ocorreu com a meta fiscal de 2011 para cá. Em seu primeiro ano, a administração Dilma Rousseff não só atingiu a meta, como elevou o superávit primário em R$ 10 bilhões. Assim, a economia fiscal do setor público para pagar os juros da dívida foi equivalente a 3,1% do PIB. No ano seguinte, a meta fiscal do setor público consolidado (que inclui Estados e municípios) caiu a 2,3% do PIB - mas as contas foram fechadas com manobras do Tesouro. Em 2013, dessa vez sem manobras, mas contando com quase US$ 35 bilhões em recursos extraordinários, o governo fez um esforço fiscal ainda menor, de 1,9% do PIB. Esta é, também, a meta perseguida em 2014.

As notícias também não foram melhores com a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a acumular 7,3% nos 12 meses até setembro de 2011, que terminou com a inflação no teto da meta de 4,5%. No primeiro ano de Dilma, o IPCA foi de 6,5%. Em 2012, fechou em 5,8%, taxa superada em 2013 (5,9%) e que deve voltar a crescer neste ano. O mercado financeiro aposta que o IPCA vai terminar o ano com 6,51%, segundo o boletim Focus.

No governo, a visão é que a piora da crise mundial, a partir do segundo semestre de 2011 deprimiu o comércio e reduziu o ritmo da economia global. Agora, o governo avalia que o mundo começa a transitar para uma fase "pós-crise". Isso permitirá uma melhora da economia brasileira, especialmente a partir do ano que vem. Segundo o governo, o PIB deve aumentar 3% em 2015, taxa que, se confirmada, vai, enfim, superar a do primeiro ano de Dilma Rousseff na Presidência.

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