Balanço revisado da Olympus reduz ativos em US$ 1,1 bilhão

Empresa foi obrigada a reapresentar balanços à Bolsa de Tóquio após admitir fraudes contábeis desde os anos 90

TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h07

A Olympus divulgou ontem seus dados financeiros depois de admitir 13 anos de fraudes contábeis. Os números revelaram uma redução de ativos de US$ 1,1 bilhão no balanço patrimonial, o que levantou especulações de que a companhia precisará buscar uma fusão, vender ativos ou captar para reparar as finanças.

A quase centenária fabricante de câmeras e equipamentos médicos publicou o equivalente a cinco anos de balanços revisados apenas algumas horas antes do prazo final dado pela Bolsa de Tóquio. Se não cumprisse a determinação, os papéis da Olympus poderiam ser removidos da bolsa. A empresa também apresentou os resultados do primeiro semestre deste ano.

O mais recente balanço, para o fim de junho de 2011, mostrou uma redução de 84 bilhões de ienes (US$ 1,08 bilhão) em ativos líquidos. A Olympus acrescentou que, em setembro, os ativos líquidos somavam 46 bilhões de ienes, contra os 225 bilhões de ienes em março de 2007.

Também revelou um prejuízo líquido de 32,33 bilhões de ienes nos seis meses até setembro, o que alimentou comentários de que precisará se mexer rapidamente para melhorar o balanço e afastar o risco de ser alvo de uma aquisição.

"Muito provavelmente a Olympus tem de levantar capital. É melhor para ela fazer fusão com outras do que se reestruturar", disse o vice-presidente de investimento da Investment Partners, Ryosuke Okazak.

O ex-presidente executivo da Olympus Michael Woodford está fazendo campanha para voltar ao cargo e disse que rapidamente se mexeria para recapitalizar a empresa. Disse, no entanto, que priorizaria a entrada de grupos de private equity como sócios da empresa ou então um aumento de capital com emissão de ações.

O presidente Shuichi Takayama afirmou que talvez venda ativos ou aceite uma aliança para aumentar a base de capital da companhia.

Desde a demissão de Woodford e o estouro do escândalo contábil em outubro, há rumores de que concorrentes teriam interesse na Olympus. Entre eles estão as fabricantes de endoscópios Fujifilm e Hoya.

As ações da empresa, que perderam metade de seu valor desde que as fraudes vieram à tona, caíram 4% no pregão de ontem. Mas, apesar da queda, alguns investidores ficaram aliviados pelo menos porque a Olympus cumpriu o prazo para revisar os balanços, sem ter caído em insolvência técnica.

A Olympus demitiu o britânico Woodford do posto de presidente executivo em 14 de outubro, sob alegação de que ele não entendeu o estilo de gestão da companhia e a cultura japonesa.

Woodford disse ter sido demitido por questionar o pagamento de US$ 687 milhões a consultores na compra, por US$ 2,2 bilhões, da produtora de equipamentos médicos Gyrus, em 2008. / REUTERS

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