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Balanços indicam ano 'desafiador'

Resultados de empresas no primeiro trimestre reforçam PIB fraco do Brasil; companhias temem efeitos negativos da Copa do Mundo

O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2014 | 02h07

Os primeiros resultados de companhias brasileiras líderes de vários setores, entre janeiro e março, reforçam a percepção generalizada de que a economia do País começou o ano devagar. Em suas divulgações, as empresas usaram adjetivos como "estranha" e "desafiadora" para definir a situação atual.

Em vez de produzir mais aço, a Usiminas resolveu vender mais energia para aproveitar os elevados preços da eletricidade no curto prazo. O Bradesco teve fraca expansão do crédito e aumento da inadimplência futura. Enquanto isso, a produtora de celulose Fibria manteve a produção de um ano atrás, enquanto construtoras seguiram desovando estoques de imóveis. A fabricante de cosméticos Natura classificou o ambiente como "mais desafiador" e reiterou um investimento menor neste ano.

Os dados saíram dias após o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), mostrar forte desaceleração da economia brasileira em fevereiro, sinalizando um ano difícil. No mês, o índice avançou 0,24% sobre janeiro depois de expansão de 2,35% em janeiro.

"O primeiro trimestre de forma geral foi fraco. A indústria teve desempenho bastante limitado. Quando olhamos para o consumo ampliado, também foi bastante fraco em fevereiro e deve ter se mantido fraco em março", disse Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências. "Não dá para ser muito otimista (...) Vemos corrosão de renda real, que mina o consumo e isso tem consequências na produção", disse Alessandra.

Futuro. As indicações para o segundo trimestre não são positivas. A Usiminas, importante fornecedora das montadoras de veículos, espera queda de produção do setor, diante de anúncios de suspensão de contratos de trabalho. A Volkswagen, por exemplo, vai afastar mais de 1 mil funcionários de suas fábricas em São Bernardo do Campo (SP) e São José dos Pinhais (PR) por até cinco meses. "Está todo mundo apreensivo com a economia, vamos ter algo parecido com o ano passado", disse o presidente executivo da companhia de logística JSL, Fernando Simões.

Outro dado que corrobora com a informação foi divulgado nesta semana pela comercializadora e gestora de energia Comerc, responsável pela gestão de 13% da carga de eletricidade de consumidores livres do Brasil. Ela apontou a primeira queda anual e mensal no consumo de energia elétrica da indústria atendida pela empresa.

"O segundo trimestre deve continuar morno. Acreditamos que ele será melhor que o primeiro. No entanto, há dúvidas em relação à Copa do Mundo em junho. Ninguém sabe o quanto os feriados vão paralisar a economia", disse Simões.

Com vários setores sem conseguir fazer projeções para os próximos meses, a produtora de papel Klabin afirmou, na última quinta-feira, que a economia brasileira está "estranha", mantendo soluços de demanda, o que tem feito a empresa apostar mais em exportações do que no mercado interno.

"A economia, a cada semana se revela de forma diferente, com uns clientes diminuindo a demanda e outros aumentando, de maneira um tanto quanto surpreendente", disse o diretor geral da Klabin, Fabio Schvartsman. "A economia está estranha, essa é a melhor maneira de se referir a ela."

Varejo. O sentimento é parecido no varejo. O Índice Antecedente de Vendas do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo apontou uma aceleração de vendas em abril e maio, que será seguida por ritmo menor em junho. Empresas como Hering e Electrolux, por exemplo, têm visto um mercado mais fraco que o esperado no Brasil neste início de ano.

A Hering, uma das maiores redes de varejo de moda do País, viu um primeiro trimestre "um pouco mais difícil" do que a empresa esperava para este ano, conforme afirmou o diretor financeiro da companhia, Frederico Oldani. A empresa lucrou R$ 64,6 milhões no primeiro trimestre do ano, queda de 6,9% na comparação com o mesmo período de 2013. Nas vendas mesmas lojas (abertas há mais de um ano) da Hering Store, a queda foi de 4,1%. "Pode haver volatilidade principalmente nas vendas em lojas, ainda não está claro quantos dias de vendas serão perdidos (por causa da Copa)", disse Oldani.

Já a gigante mundial de eletrodomésticos Electrolux afirmou ontem que o Brasil, seu segundo maior mercado, permanece com performance fraca. O presidente executivo da companhia sueca, Keith McLoughlin, acredita que a demanda continuará caindo no País no segundo trimestre, embora ele espere uma recuperação na segunda metade do ano. / REUTERS

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