Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Bancários de todo o País podem entrar em greve a partir de 6 de outubro

Segundo Comando Nacional dos Bancários, categoria deve rejeitar proposta apresentada pelos bancos de reajuste de 5,5%, mais um abono de R$ 2,5 mil; trabalhadores pedem reajuste de 16%

IGOR GADELHA, Estadão Conteúdo

25 Setembro 2015 | 17h02

Atualizado às 19h01

Bancários de todo o Brasil podem entrar em greve a partir do próximo dia 6 de outubro, em protesto por melhorias salariais. Segundo o Comando Nacional dos Bancários, a categoria deve rejeitar proposta apresentada nesta sexta-feira, 25, pelos bancos de reajuste de 5,5%, mais um abono de R$ 2,5 mil. Os trabalhadores pedem reajuste de 16%, sendo 5,6% de aumento real e 9,88% de reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

"Não vamos indicar aprovação durante assembleia no próximo dia 1º. Essa proposta impõe perda salarial real de 3,99%", afirmou a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira. Segundo ela, os bancos teriam justificado o porcentual de 5,5% de reajuste como a "inflação futura" e teriam ponderado que outras categorias no País estão fechando acordos salariais sem reposição da inflação acumulada.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), por sua vez, defende que a proposta de reajuste salarial de 5,5% oferecida aos bancários mantém o poder de compra médio dos trabalhadores nos próximos 12 meses, pois está "em linha" com a expectativa de inflação desse período. 

"Neste momento delicado da economia, a proposta visa compensar perdas decorrentes da inflação passada, sem contaminar os índices futuros, o que iria contra os esforços do governo para reequilibrar os fundamentos macroeconômicos", afirma a federação em nota, ressaltando que a proposta salarial de 2015 vem após um processo de aumentos reais de salários interruptos desde 2004.

A Febraban destaca ainda que o reajuste de 5,5% será complementado pelo abono de R$ 2,5 mil que será pago a todos os bancários. Além disso, acrescentou, os trabalhadores receberão de 5% a 10% de participação dos lucros dos bancos. A federação ressaltou ainda que essas propostas serão complementadas por cláusulas "não-econômicas" ainda em negociação, "que trarão benefícios sociais importantes, com melhoria das relações de trabalho."

Para a sindicalista Juvandia Moreira, a proposta dos bancos, no entanto, "não tem cabimento". "Falamos que esses setores estão em situação diferente", disse. Juvandia destacou que a proposta é incompatível com os resultados financeiros dos cinco maiores bancos do País, que registraram lucro líquido de cerca de R$ 36 bilhões no primeiro semestre de 2015, montante 27,3% maior do que o contabilizado em igual período do ano passado, de acordo com a sindicalista. Segundo a categoria, de 2009 a 2014, os bancários conseguiram aumento real em todos os anos.

A sindicalista informou que a proposta será levada à categoria durante assembleia do Comando Nacional dos Bancários na próxima quinta-feira, 1º. Caso os bancos não apresentem uma contraproposta, ela explica que a greve deve ser aprovada no mesmo dia, começando 72 horas depois, como estabelece a legislação, ou seja, em 6 de outubro. "Eles dizem que é a proposta que eles têm", afirmou. A reunião desta sexta-feira foi o sexto encontro entre as partes desde que a campanha salarial começou, em 11 de agosto.

Outras reivindicações. Além de reajuste de 16%, os bancários reivindicam aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para R$ 7.246,82 e um piso mínimo de R$ 3.299,66. Pedem também o pagamento de 14º salário, fim de metas consideradas "abusivas" pela categoria, fim das demissões, ampliação das contratações, combate às terceirizações e mais segurança nas agências bancárias.

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