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Bancários decidem entrar em greve por tempo indeterminado

Os bancários aprovaram, na quarta-feira à noite, proposta de greve geral por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira em quase todo o País. Até às 22 horas, 15 Estados e oito capitais haviam aderido à greve geral, segundo dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Outros Estados não tinham terminado suas assembléias para decidir sobre a paralisação das atividades. Mas a expectativa era que o País inteiro aprovasse a greve.Antes da assembléia as atividades já estavam paralisadas em sete Estados (Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Piauí e Paraíba) e seis capitais (Rio de Janeiro, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte). Ontem foram definidos greve em São Paulo, Curitiba, Acre, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Roraima.Em São Paulo, principal centro financeiro do País, a greve foi aprovada por unanimidade pelos cerca de 1,3 mil trabalhadores que lotaram a quadra dos bancários no centro da cidade. A oferta dos bancos de reajuste salarial de 2,85%, que apenas repõe a inflação acumulada em 12 meses, foi rejeitada pela categoria. ?Se não tem aumento real, tem greve por tempo indeterminado?, defendeu o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino.A assembléia foi tumultuada por um grupo de 100 sindicalistas da oposição bancária, integrada por militantes do PSTU e do PSOL, que insistiam, sem sucesso, em defender propostas que não estavam previstas na pauta da assembléia. ?Eles querem transformar a campanha salarial em campanha eleitoral?, disse Marcolino. ?Isso não vai acontecer.?Em São Paulo, Osasco e Região trabalham 106 mil dos 400 mil bancários do País. Os sindicalistas de oposição gritavam palavras de ordem como Democracia e carregavam cartazes com mensagens provocativas contra os bancos e à central da qual não fazem parte, a CUT.Na assembléia paulista, ficou decidido que os bancários farão uma passeata, nesta quinta-feira, pelas ruas do centro da cidade, saindo da Praça do Patriarca, às 17 horas. No mesmo local, haverá uma assembléia para avaliação do movimento após a caminhada. A estratégia alinhavada durante a assembléia prevê o início da greve nas matrizes e agências dos centros financeiros, além de atingir também os centros de tecnologia, teleatendimentos e câmbio dos principais bancos, consideradas estratégicos. Na greve do ano passado, a categoria conseguiu fechar acordo de aumento real de 1% depois de paralisar o centro do Bradesco e do Unibanco.NegociaçãoNa terça-feira, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) melhorou um pouco a proposta de reajuste dos trabalhadores, de 2% para 2,85%. De acordo com a instituição, o porcentual seria equivalente à inflação acumulada em 12 meses até setembro, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) também teve proposta nova. A entidade passou para 80% do salário, mais R$ 823,00 na parte fixa, além de um adicional de R$ 750 para os funcionários dos bancos que tiverem crescimento de pelo menos 20% em seu lucro líquido. A categoria reivindica, no entanto, aumento real de 7,05%, além da reposição da inflação. Isso sem contar PLR de 5% do lucro líquido mais um salário bruto acrescido de R$ 1.500 para todos os trabalhadores. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e membro do comando nacional, Vinícius Assumpção, do total da categoria, que soma 30 mil bancários no Estado, o sindicato acredita que 70%, ou equivalente a 21 mil trabalhadores, estão em greve no Estado. Para compensar os problemas causados aos clientes, o movimento montou alguns esquemas alternativos para aposentados e pensionistas.A dica da Fenaban para a greve, que atinge bancos públicos e privados, é que os consumidores procurem estabelecimentos que fazem operações bancárias, como as lotéricas, e também internet, serviços telefônico, auto-atendimento e caixas eletrônicos.Assumpção diz que o movimento não foi pressionado ?em momento algum? pelo governo com o objetivo de empurrar a greve para depois das eleições. ?E, mesmo se o fizesse, seria repudiado. A nossa independência e autonomia são direitos sagrados.?

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