Bancários fazem greve em boa parte do País; BNDES também pára

Os bancários de boa parte do País entram em greve por campanha salarial a partir desta quinta. Apenas em Brasília, Rondônia, Roraima e Florianópolis (SC), os trabalhadores decidiram não paralisar, conforme balanço da Confederação Nacional dos Bancários (CNB) divulgado, após a realização de assembléias em quase todo o Brasil. Amazonas, Goiás e Tocantins não têm sindicatos ligados a CNB.Segundo o presidente da confederação, Vagner Freitas, a partir de agora a paralisação será um "processo de construção", ou seja, a manifestação deve ganhar força com os dias. Freitas disse que a greve, sem previsão de término, é para forçar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), braço sindical da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a fazer uma negociação. "Desafiamos os bancos a fazerem uma rodada de negociação." Os bancários pedem reajuste de 11,77%, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de um salário mais R$ 788 acrescidos de 5% do lucro líquido, entre outras 100 cláusulas.A Fenaban informou que mantém a proposta inicial: 4% de reajuste para salários, pisos e demais verbas, abono de R$ 1 mil e PLR de 80% do salário e valor fixo de R$ 733. Na terça-feira, o presidente da Febraban, Márcio Cypriano, disse que cabe aos bancários apresentar uma contraproposta, pois não houve resposta da proposta apresentada pela federação.Por outro lado, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, tem divulgado dois documentos negando a oferta da Fenaban, protocalados nos dias 22 e 23 do mês passado. São Paulo - Na capital paulista, cerca de 1,2 mil bancários participaram da assembléia. De acordo com estimativa do presidente do sindicato, Luis Cláudio Marcolino, 90% dos trabalhadores votaram pela greve. Ele explicou a paralisação será focada na região central e na avenida Paulista. "A partir daí ir ampliando." Uma passeata deve ocorrer a partir das 17 horas. O trajeto ainda não foi definido e os participantes devem se aglomerar na Praça dos Patriarcas.Segundo Marcolino, a manifestação será feita com a ajuda de carros de som, adesivos e faixas, a serem colocadas em frente as principais agências bancárias. "Não esperamos ter 100% de paralisação, então indicamos à população procurar as agências que estarão abertas e os caixas eletrônicos."Em todo o Brasil, há cerca de 400 mil bancários. Só na região de São Paulo são 106 mil, que atuam em 3 mil locais de trabalho.No ano passado, os funcionários pararam as atividades por 30 dias em todo o País e conseguiram reajuste salarial que variou entre 8,5% e 12,77%. Há uma semana, os trabalhadores paralisaram as atividades por 24 horas em 19 Estados e no Distrito Federal. BNDES - Os funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) farão nesta quinta-feira a primeira paralisação do banco no Governo Lula. Será uma greve de advertência, programada para durar 24 horas. A última paralisação de funcionários no banco foi em 1999, segundo a Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES).As negociações das cláusulas econômicas emperraram na discussão sobre a concessão de um abono. Os funcionários reivindicam 2,5 salários, mas o banco ofereceu 0,5 salário de abono imediato - outros 2,7 salários já haviam sido definidos a título de participação nos lucros, a serem pagos no início de 2006. Os funcionários rechaçaram a proposta de abono, mantiveram o pleito inicial e definiram a "greve relâmpago".Os empregados também defendem reajuste salarial de 12%, que ainda não foi discutido. Segundo a AFBNDES, a negociação deste ano está sendo "uma das piores negociações de todos os tempos" e a postura da diretoria tem sido "intransigente". Tanto a administração de Guido Mantega no banco como da nova chapa da associação assumiram no segundo semestre do ano passado.Segundo um funcionário, "a negociação está mais intensa este ano, a administração foi menos flexível e a associação de funcionários também está reagindo". A associação de funcionários argumenta que os pleitos não se limitam às cláusulas econômicas. O objetivo é, também, igualar a situação dos concursados a partir de 1997 com os demais, a reintegração de 168 funcionários demitidos no Plano Collor, a extensão aos aposentados de abonos que teriam sido pagos no fim da década passada sob a forma de participação nos lucros para os funcionários e um auxílio-ensino.Segundo a AFBNDES, algumas destas cláusulas foram negadas logo no início das negociações.

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