Bancários mantêm paralisação e ampliam greve para 23 Estados

Os bancários decidiram manter a greve iniciada ontem em 20 Estados e ampliaram a paralisação por tempo indeterminado para outros locais do País. Segundo levantamento divulgado pelas centrais sindicais da categoria, os trabalhadores do Distrito Federal e mais 23 Estados participam nesta sexta-feira do movimento de protesto contra a proposta de reajuste salarial apresentada no dia 20 de setembro pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), braço sindical da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).Conforme informou a Confederação Nacional dos Bancários (CNB), que é ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), os funcionários no Distrito Federal e em Santa Catarina (com maior adesão em Florianópolis) reforçaram hoje o movimento.Dos 23 Estados filiados à CNB, somente Roraima e Rondônia ainda não aderiram à greve, que atinge também o Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe.Locais não filiadosNos Estados de Goiás, Amazonas e Tocantins, onde os sindicatos não fazem parte da CNB, mas são filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), os goianos e amazonenses também iniciaram paralisações que atingiram a maioria das agências da Caixa Econômica Federal.Já o Sindicato dos Bancários de Tocantins, decidiu que a greve começará na segunda-feira. "Apesar das confederações (CNB e Contec) seguirem tendências diferentes, neste ano, parece que ambas estão adotando posicionamentos parecidos na campanha salarial", disse à Agência Estado o presidente do sindicato tocantinense, Crispim Batista Filho.BalançoNo levantamento, divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, 210 locais estavam fechados até 14h30, totalizando cerca de 26 mil bancários em greve. A paralisação - que no primeiro dia atingiu prioritariamente as grandes concentrações dos bancos (no total foram 160 locais de trabalho), provocou agressões a sindicalistas por parte da Polícia Militar e duas prisões - foi ampliada hoje para mais 50 agências bancárias. Na região central da capital paulista, 44 locais ficaram parados; na zona leste, 42; na zona norte, 36; oeste, 32; sul, 14; Osasco, 18; e, na região da Avenida Paulista, 24.O mais recente balanço da Febraban apontou que somente 4% das agências bancárias do País permanecem fechadas. A entidade que representa os banqueiros continua aguardando uma contra-proposta dos bancários.Reivindicação dos bancáriosA categoria, que tem data-base em 1º de setembro e conta com 400 mil trabalhadores em todo o Brasil, reivindica aumento 11,77% nos salários, mas a federação que representa os bancos ofereceu no último dia 20 um reajuste salarial de 4%, abono de R$ 1.000 e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 80% do salário, mais R$ 733 fixos.Diante dos resultados financeiros positivos obtidos pelos bancos em 2004, os trabalhadores pleiteiam também em 2005 um salário integral, mais R$ 788,00 fixos, acrescidos de 5% do lucro líquido da instituição bancária, distribuído linearmente entre todos os funcionários.Reivindicam ainda garantia de emprego, 14º salário, 13ª cesta-alimentação, proteção salarial cada vez que a inflação atingir 3% e adoção de medidas, por parte dos bancos, como a promoção da igualdade de oportunidades, além da ampliação do horário de atendimento bancário, com dois turnos de trabalho para a categoria e o controle de tempo de espera nas filas.Em 2004, após cinco meses de campanha salarial, que resultou na mais longa greve nacional da categoria, com 30 dias de duração, patrões e empregados chegaram a um acordo, que resultou em um reajuste salarial que variou entre 8,5% e 12,77%.

Agencia Estado,

07 de outubro de 2005 | 16h24

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