Bancários param quase 25% das agências

Trabalhadores reivindicam aumento real de 5% e querem que piso suba para R$ 2.416,38; bancos oferecem reajuste real de 0,58%

O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h04

O primeiro dia de greve dos bancários afetou o funcionamento de quase 25% das agências bancárias do País. Segundo o balanço da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), divulgado ontem, 5.132 das 21.713 agências não funcionaram em 26 Estados e no Distrito Federal. Em 2011, o primeiro dia da greve tinha atingido 4.191 agências.

"O resultado do primeiro dia de greve foi muito bom. Foi uma resposta ao silêncio dos bancos, que não fizeram nenhuma nova proposta desde 28 de agosto", disse Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Entre as principais reivindicações dos bancários, estão reajuste salarial de 10,25% - aumento real de 5% - e piso salarial de R$ 2.416,38. Nas negociações, os bancos ofereceram reajuste salarial de 6% (0,58% de aumento real) e piso salarial de R$ 2.014,38 para os trabalhadores que exercem a função de caixa.

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) - braço sindical da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) - diz que está aberta ao diálogo. "Esperamos que a Contraf parta dessa proposta que fizemos e diga quais os ajustes que precisam ser feitos para que possamos consultar os bancos", disse Magnus Ribas Apostólico, diretor de Relações do Trabalho da Fenaban.

Em São Paulo, principal centro financeiro do País, a greve teve a adesão de 20,8 mil trabalhadores, em 651 locais de trabalho, sendo 21 centros administrativos. O número ficou abaixo do verificado no ano passado, quando a primeira paralisação teve a participação de 21,1 mil bancários.

"O resultado do primeiro dia ficou dentro do esperado. O número de trabalhadores acaba mudando por causa dos locais escolhidos para a paralisação", disse Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Amanhã, está programada uma manifestação na Avenida Paulista em frente a uma unidade do Banco Bradesco, com outras categorias que estão em negociação salarial neste segundo semestre. Na parte da tarde, vai ocorrer uma assembleia dos bancários para definir o futuro da paralisação.

No Rio, o balanço parcial da greve indicava 270 agências fechadas. Em Minas Gerais, a paralisação teve adesão de 60% dos trabalhadores, segundo o sindicato. Em Porto Alegre, a maioria das agências do centro ficou fechada durante todo o expediente. As agências de cidades vizinhas funcionaram parcial ou totalmente e 70% dos bancários aderiram. Já em Pernambuco, a adesão foi de 80% nos bancos públicos e de 40% a 50% nos privados.

Metalúrgicos. Cerca de 40 mil metalúrgicos que aderiram à greve no ABC na manhã de ontem devem continuar parados nas fábricas onde não houve acordo. Até a noite de ontem, 76 empresas haviam cedido às reivindicações da categoria, de aumento de 8% nos salários. O número representa cerca de 27 mil, de um total de 70 mil trabalhadores. Nessas fábricas não houve paralisação. Os funcionários das montadoras não participam da campanha salarial, pois cumprem acordo válido por 2 anos, que acaba em 2013. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, as empresas ainda estão em negociação, e não há previsão de encerramento da greve. / LUIZ GUILHERME GERBELLI, MARCELO PORTELA, ELDER OGLIARI E ANGELA LACERDA, COM LUIZA VIEIRA E MARCIO DOLZAN, ESPECIAL PARA O ESTADO

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