Bancários seguem em negociação amanhã e ameaçam entrar em greve

Proposta de reajuste salarial de 6% feita pela Fenaban aos bancários nesta tarde desagradou a categoria, que pede 10,25% de reajuste, com aumento real de 5% 

Beatriz Bulla, da Agência Estado,

28 de agosto de 2012 | 20h01

SÃO PAULO - A proposta de reajuste salarial de 6% feita pela Federação Nacional de Bancos (Fenaban) aos bancários nesta tarde desagradou a categoria, que pede 10,25% de reajuste, com aumento real de 5%. A negociação entre o Comando Nacional dos Bancários, com representantes de sindicatos do setor, e a Fenaban continuará amanhã, quarta-feira, 29, em São Paulo, mas os bancários já avisam que podem cruzar os braços caso o debate não avance. "Se o acordo for insatisfatório, a categoria está mobilizada para ir à greve", disse o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, presente na reunião de hoje.

De acordo com Cordeiro, a questão pode ser resolvida na mesa de negociação, desde que a Fenaban apresente nova sugestão. "Eles estão apontando que não ficarão nessa proposta, mas, se continuar nesse patamar, a categoria está preparada para ir à greve", reiterou. A presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira Leite, aposta numa solução por meio do debate: "Não tem nada definido ainda sobre greve, esperamos que eles façam uma proposta que melhore o reajuste e que tenha realmente aumento real".

De acordo com os bancários, o reajuste de 6% traria apenas 0,7% de aumento real nos salários, descontada a inflação. "Nossa proposta (de reajuste de 10,25%) não é nada absurdo e, pelo resultado que os bancos têm, eles podem pagar", disse Juvandia. O presidente da Confrat reforça: "É uma proposta (da Fenaban) bastante insuficiente, nós esperávamos que ela (a entidade) apresentasse algo que pudéssemos levar à categoria".

Os dirigentes sindicais apontaram também outras questões que os deixaram insatisfeitos, como a proposta sobre piso salarial. Os trabalhadores pediam piso de R$ 2.416,38 para o setor, mas a proposta dos banqueiros é de piso para trabalhadores de escritório de R$ 1.484,00 e piso para caixa de R$ 2.014,38. "Não conseguimos entender como aqui (no Brasil) está o maior lucro mundial do Santander, por exemplo, a maior remuneração dos executivos e o menor piso dos bancários da América Latina", afirmou Cordeiro.

A falta de proposta por parte da Fenaban sobre manutenção de empregos também desagradou. Segundo Cordeiro, a instituição decidiu não fazer acordo sobre empregos em nome de todos os bancos, estipulando que a negociação seja feita caso a caso. A decisão dos bancários é de enviar carta aos principais bancos do País para pedir manutenção dos empregos e aumento dos postos de trabalho.

A rodada de negociações incluiu discussão também de questões de saúde e segurança no trabalho, cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho do setor e igualdade de oportunidades. De acordo com Juvandia, a Fenaban deu "algumas respostas positivas" quanto às reivindicações sociais. Para Cordeiro, contudo, ainda há muito o que avançar. "Conseguimos caminhar um pouco na questão de segurança, mas ainda não temos detalhamento de prazos. Na questão das metas abusivas, também não tivemos avanço", avaliou o presidente da Contraf-CUT.

Nas negociações de amanhã (29), deve voltar à pauta também questões sobre a participação nos lucros e resultados (PLR). A proposta da Fenaban prevê PLR de 90% do salário acrescido de valor fixo de R$ 1.484,00, podendo chegar a 2,2 salários de cada empregado. A reivindicação dos bancários à Fenaban era de PLR de três salários mais R$ 4.961,25 de parcela fixa."Esperamos que nessa questão os bancos possam distribuir um valor maior aos funcionários, de acordo com seus lucros", disse Cordeiro.

Hoje, sindicalistas e banqueiros se reuniram no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. O encontro desta quarta-feira acontece a partir das 10h, no mesmo local.

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