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Banco BMG pode estrear na Bolsa com valor de R$ 7 bilhões

Banco fundado há 90 anos, que já foi citado no caso do Mensalão, é forte no crédito consignado; agora, tenta se vender como instituição digital

Aline Bronzati e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2019 | 15h33

Fundado há quase 90 anos, o banco mineiro BMG deverá finalmente pôr os pés na Bolsa brasileira, após uma tentativa frustrada em 2018. A instituição mineira, mais conhecida pela atuação no crédito consignado, deverá chegar à B3 com valor de mercado de cerca de R$ 7 bilhões. Apesar de ser um banco bastante antigo, o BMG agora se vende como um instituição digital que quer bater de frente com as fintechs, as startups do setor financeiro.

A oferta do BMG poderá girar até R$ 2 bilhões, dependendo do preço da ação, que será definido nesta quinta-feira, 24. Na estreia, marcada para a próxima segunda-feira, 28, deverá ter valor de mercado total de R$ 7 bilhões. Entre instituições semelhantes, o banco mineiro valerá mais do que o Pan (R$ 4 bilhões), mas ainda bem distante do Inter (cerca de R$ 13 bilhões).

Dos recursos da oferta que serão injetados no caixa do BMG – cerca de R$ 1 bilhão –, 45% deverão ser destinados a investimentos em negócios existentes, 45% em novos produtos e os 10% em inovações tecnológicas e marketing.

Na primeira tentativa de abrir capital, no fim do ano passado, o BMG não conseguiu convencer os investidores – que exigiram desconto no preço. O banco decidiu recuar. 

De lá para cá, reforçou resultados, entregando alta de lucro líquido no primeiro semestre e se debruçou ainda mais na proposta de ser um banco digital. O fato de a instituição ter conseguido entregar a promessa feita no fim de 2018 fez um grupo de investidores institucionais apostar no IPO do BMG

Pesa a favor do ânimo dos investidores com a chegada do BMG à Bolsa o fato de a Selic (taxa básica de juros) estar a 5,5%, com viés de baixa. A expectativa é que isso incentive o investidor comum a tomar mais risco em busca de retorno.

Os coordenadores da oferta do banco mineiro são XP, Itaú BBA, Credit Suisse, Brasil Plural e Banco do Brasil.

Dependência

Apesar da nova roupagem digital, o BMG dá resultado no segmento em que especializou: o consignado. Essa dependência é um risco, pois a atuação está sujeita a mudanças de regras. “A concessão de cartão de crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS e servidores públicos depende da autorização de entidades às quais essas pessoas estão relacionadas”, diz o prospecto da oferta.

O BMG é líder em cartão de crédito consignado, com 3,8 milhões de clientes. Sob essa ótica, está à frente da maior parte dos bancos digitais. O também mineiro Inter, por exemplo, somava 3,3 milhões de clientes ao fim de setembro. Porém, quando considerado apenas o banco digital do BMG, lançado há um ano, a instituição tem 450 mil contas abertas.

Na arena digital, foco atual dos investidores, o BMG tem a seu favor uma marca consolidada. O banco foi fundado há quase 90 anos pelo médico Antônio Mourão Guimarães, filho do banqueiro Coronel Benjamin, ou Benjamin Ferreira Guimarães. Posteriormente, neto do coronel, Flávio Pentagna Guimarães, assumiu o comando o banco, que toca há cerca de 60 anos. Com 11% do capital, ele é um dos vendedores de ações na oferta secundária.

Mensalão 

Em nove décadas, o BMG passou por altos, como a parceria em consignado com o Itaú, e baixos, como o envolvimento no mensalão mineiro, investigação na qual executivos do banco chegaram a ser condenados à prisão em 2012. 

Sete anos depois do ápice do escândalo, analistas que preferiram não se identificar disseram ao Estadão/Broadcast que o risco Mensalão agora é pequeno e não deve ter impacto nos planos do BMG de abrir o capital.

Para se livrar da pecha de “banco do Mensalão” e blindar o negócio, o BMG também modificou sua governança corporativa. Para começar, a família deixou o comando ao fim de 2012. Além disso, a instituição financeira mudou a sede de Belo Horizonte para São Paulo.

Há um ano, decidiu embarcar na onda dos bancos digitais e ampliar seu portfólio. Em seguros, o BMG fechou acordo com a italiana Generali; em meios de pagamento, adquiriu a Granito para atender microempreendedores individuais.

Mesmo com essas iniciativas, analistas citam como fator de risco a concentração das receitas do banco no consignado. A Eleven Financial menciona perigos como o aumento de competição no setor financeiro, a alta de inadimplência no consignado e o avanço do BMG na oferta de crédito pessoal.

A Eleven tem preço-alvo de R$ 19 para as ações do BMG. A recomendação representa potencial de valorização de 52%, considerando a faixa de preço de R$ 11,60 a R$ 13,40. O otimismo da Eleven se baseia na expectativa de retomada da economia brasileira, que poderá trazer um novo ciclo de expansão do crédito.

O cenário de juros baixos beneficia o financiamento ao consumo, foco do banco mineiro. Há ainda elogios à recente melhora tecnológica do BMG.

Procurado, o banco mineiro não quis dar entrevista.

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