Banco BR Partners compra a maior franqueada do Burger King no País

Banco de investimento vai aportar cerca de R$ 300 milhões no negócio; dinheiro será usado para comprar uma participação de 65% na BGK, que administra 63 unidades

Melina Costa e Fernando Scheller, de O Estado de S.Paulo,

28 de abril de 2011 | 23h00

O braço de private equity do banco BR Partners comprou perto de 65% da BGK, a maior franqueada da rede de fast-food Burger King no País, e promete "turbinar" a operação: com capital novo, a empresa tem o objetivo de abrir 200 novas unidades em três anos. O investimento do BR Partners no negócio é de aproximadamente R$ 300 milhões, segundo o ‘Estado’ apurou, e inclui a aquisição e o investimento na expansão.

Por trás do negócio estão duas recentes mudanças na operação do Burger King. A primeira é global: em setembro de 2010, o fundo 3G Capital, dos investidores brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira - principais acionistas da AB Inbev, maior fabricante de cervejas do mundo -, comprou a rede por US$ 4 bilhões. Segundo pessoas próximas, os novos donos viram com bons olhos a entrada de um investidor capitalizado para criar um "master franqueado" no Brasil e acelerar a expansão da rede. Até agora, o modelo da rede americana era o de "franquias-condomínio", formado por diversos pequenos investidores.

A segunda questão que facilitou a mudança no controle da BGK é local: em outubro, a franquia perdeu a exclusividade na expansão da rede em São Paulo, passando a disputar espaço com a paraguaia Vierci - grupo capitalizado, que atua em diversos setores, como importação de produtos de luxo, agropecuária, mídia e construção. A chegada da concorrência foi um catalisador para a venda do controle.

Importância. A trajetória da franqueada se confunde com a da marca que representa: o fundador Luiz Eduardo Batalha foi aos Estados Unidos negociar a vinda da rede para o Brasil, concretizada em 2001. À época, a ideia era rivalizar com os gigantes do mercado, mas o modelo de expansão financiada por pequenos investidores não foi suficiente para tirar o Burger King da posição de coadjuvante no País: hoje, o número de unidades da marca é equivalente a um décimo da rede do McDonald’s.

 

Apesar de ser a maior franqueada do Burger King, com 63 unidades - incluindo 40 restaurantes -, a BGK tinha de responder a um pequeno batalhão de 15 sócios, que vão se retirar da empresa com a chegada do BR Partners como controlador. A relação entre os cotistas, entre eles o narrador Galvão Bueno e o piloto Hélio Castro Neves, era pouco harmoniosa, contam fontes de mercado. O fundador Luiz Eduardo Batalha, antes sócio majoritário, ficará com uma participação ao redor de 30%. O filho dele, Guilherme, deve permanecer na gestão da companhia.

Como outras franqueadas da marca também estão sob o comando de pequenos investidores, o Estado apurou que o fundo Kinea, do Itaú, negocia a compra de uma participação em unidades do Rio de Janeiro. Procurado, o fundo não quis comentar o assunto.

Para o consultor especializado em franquias Marcelo Cherto, a mudança no perfil de expansão do Burger King veio tarde. "No Brasil, a marca é maior do que a rede", afirma Cherto. "Esse processo de mudança de perfil, com prioridade para os investidores de maior porte, já ocorreu no México, no Chile e na Argentina."

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