Banco BR Partners compra a maior franqueada do Burger King no País

Banco de investimento vai aportar cerca de R$ 300 milhões no negócio; dinheiro será usado para comprar uma participação de 65% na BGK, que administra 63 unidades, e para cumprir a meta de abrir 200 novas unidades em três anos

Melina Costa e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

O braço de private equity do banco BR Partners comprou perto de 65% da BGK, a maior franqueada da rede de fast-food Burger King no País, e promete "turbinar" a operação: com capital novo, a empresa tem o objetivo de abrir 200 novas unidades em três anos. O investimento do BR Partners no negócio é de aproximadamente R$ 300 milhões, segundo o "Estado" apurou, e inclui a aquisição e o investimento na expansão.

A operação do Burger King passou recentemente por duas mudanças importantes. A primeira foi global: em setembro de 2010, o fundo 3G Capital, dos investidores brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira - principais acionistas da AB Inbev, maior fabricante de cervejas do mundo -, comprou a rede por US$ 4 bilhões.

Segundo pessoas próximas, os novos donos viram com bons olhos a entrada de um investidor capitalizado para criar um "master franqueado" no Brasil e acelerar a expansão da rede. Até agora, o modelo da americana era o das "franquias-condomínio", formadas por diversos pequenos investidores.

A outra mudança foi local: em outubro, a BGK perdeu a exclusividade na expansão da rede em São Paulo, passando a disputar espaço com a paraguaia Vierci - grupo capitalizado, que atua em diversos setores, como importação de produtos de luxo, agropecuária, mídia e construção. A chegada da concorrência foi um catalisador para a venda do controle.

Importância. A trajetória da franqueada se confunde com a da marca que representa: o fundador Luiz Eduardo Batalha foi aos Estados Unidos negociar a vinda da rede para o Brasil, concretizada em 2001. À época, a ideia era rivalizar com os gigantes do mercado, mas o modelo de expansão financiada por pequenos investidores não foi suficiente para tirar o Burger King da posição de coadjuvante no País: hoje, o número de unidades da marca é equivalente a um décimo da rede do McDonald"s.

A BGK é a maior franqueada do Burger King no País, com 63 unidades - 40 restaurantes e 23 quiosques. Até agora, seus gestores tinham de responder a um pequeno batalhão de sócios. Quinze deles vão se retirar da empresa com a chegada do BR Partners como controlador. A relação entre os cotistas, entre eles o narrador Galvão Bueno e o piloto Hélio Castro Neves, era pouco harmoniosa, contam fontes de mercado. O fundador Luiz Eduardo Batalha, antes sócio majoritário, ficará com uma participação ao redor de 30%. O filho dele, Guilherme, deve permanecer na gestão da companhia.

Como outras franqueadas da marca também estão sob o comando de pequenos investidores, o Estado apurou que o fundo Kinea, do Itaú, negocia a compra de uma participação em unidades do Rio de Janeiro. Procurado, o fundo não quis comentar o assunto.

Para o consultor especializado em franquias Marcelo Cherto, a mudança no perfil de expansão do Burger King veio tarde. "No Brasil, a marca é maior do que a rede", afirma. "Esse processo de mudança de perfil, com prioridade para os investidores de maior porte, já ocorreu no México, no Chile e na Argentina."

PARA ENTENDER

A chegada do Burger King ao mercado brasileiro, há uma década, prometia uma operação de grande escala que ainda não se concretizou: atualmente, entre quiosques e restaurantes, a marca contabiliza 140 unidades no País. "Há redes de iogurte que hoje estão perto de chegar a 100 lojas", compara o consultor Marcelo Cherto. As concorrentes diretas do Burger King, brasileiras ou multinacionais, apresentam hoje um número muito maior de pontos de venda: o McDonald"s contabiliza mais de 1,4 mil, o Bob"s já passou de 750, o Subway tem 604 restaurantes e o Giraffa"s está perto de 350 unidades no País.

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