Banco central americano reduz juro para 2% ao ano

É o 7º corte consecutivo. Juro é o mais baixo desde novembro de 2004. Ciclo de cortes pode ter chegado ao fim

Da Redação,

30 de abril de 2008 | 15h16

Em meio à difícil situação na economia norte-americana, os integrantes do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) decidiram nesta quarta-feira, 30, reduzir a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto porcentual para 2% ao ano. Com a sétima redução consecutiva da taxa, o juro nos Estados Unidos chega ao patamar mais baixo desde novembro de 2004.    A decisão não foi unânime. Oito membros do Comitê votaram pelo corte e dois rejeitaram a redução. Além do placar, as justificativas dadas ao final da reunião sugerem que o período de corte de juros pode ter chegado ao fim. Segundo o texto, há ainda pressão de alta na inflação por conta dos preços dos alimentos e energia e do dólar fraco. Isso indica, segundo o banco central americano, que novos cortes podem fazer mais mal do que bem nos próximos meses. A taxa de redesconto - juro cobrado nos empréstimos diretos do Fed aos bancos - também foi cortada 0,25 ponto para 2,25%. A ação era amplamente esperada pelos mercados. Crescimento x inflação Enquanto, por um lado, o Federal Reserve tenta dar suporte ao crescimento econômico do país, os integrantes do Comitê têm em mente que não podem deixar a inflação sair do controle, enquanto os preços em ascensão da energia e dos alimentos aumentam as preocupações com o índice.  É um dilema econômico: as mesmas reduções de que o Fed depende para energizar a economia podem, também, semear as sementes da inflação para o futuro. Em função disso, economistas já esperavam por uma redução de 0,25 ponto porcentual. Reação dos mercados O mercado acionário passou praticamente ileso à notícia de corte de juros nos Estados Unidos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que avançava 1,52% antes do anúncio, chegou a bater a máxima de 1,67%, aos 64.954 pontos, mas voltou e, por volta das 15h40, subia 1,60%, aos 64.846,3 pontos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas em Nova York - subia 0,97% antes do anúncio e depois avançou 1,06%. Já a Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - passou de 0,70% para 0,64%. Na avaliação do diretor da Ágora, Álvaro Bandeira, a interrupção dos cortes pelo banco central americano pode, no entanto, durar apenas um encontro, o de junho, e voltar a ocorrer mais à frente. "Há espaço para os cortes. A inflação está elevada, mas não é endêmica, o custo de mão-de-obra divulgado hoje mostra isso", avalia ele. A seu ver, a pausa no corte os juros serviria para o Fed mensurar a redução feita até agora, uma vez que a situação, mais calma, permite tal intervalo. No câmbio, o dólar oscilou ao redor da estabilidade ante o euro e renovou as mínimas em relação ao real, simultaneamente às acelerações das altas das Bolsas, após o corte de juro nos Estados Unidos. Às 15h34, o dólar à vista estava na mínima, com queda de 1,06%, a R$ 1,6860 na roda da BM&F e a R$ 1,6880 no balcão. Nesse horário, o euro subia 0,08%, a US$ 1,5586. 

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