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Banco Central anuncia nova medida para conter alta do dólar

Banco extinguiu o compulsório sobre as posições dos bancos apostando na queda da moeda americana, como forma de estimular a redução da cotação

Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

25 de junho de 2013 | 19h31

Texto atualizado às 21h20

BRASÍLIA - O Banco Central anunciou na noite desta terça-feira, 25, mais uma medida para tentar reduzir o ritmo de alta do dólar em relação à moeda brasileira. A instituição acabou com o recolhimento compulsório sobre posições vendidas de bancos no mercado de câmbio.

No jargão do mercado financeiro, estar "vendido" significa apostar que a cotação do dólar pode cair. É uma atuação que tem o efeito de uma venda de moeda no mercado, aumentando a oferta e contribuindo para reduzir as cotações.

Desde 2011, as instituições que apostassem nesse movimento, com valores acima de US$ 3 bilhões, eram obrigadas a recolher de forma compulsória 60% do valor excedente e deixar o dinheiro parado no BC, sem remuneração. Na época, o governo queria reduzir essas apostas e incentivar os bancos a comprarem dólares para retirar moeda do mercado.

Agora, no entanto, o objetivo da equipe econômica é incentivar os bancos a vender dólares. Por isso, o Banco Central zerou a alíquota sobre a posição vendida.

Até a semana passada, último dado disponível, os bancos estavam "comprados" em US$ 4,5 bilhões (valor que considera a soma das posições de todos os bancos no câmbio). No jargão do mercado, estar "comprado" significa apostar que as cotações do dólar podem subir. Ao ter a moeda em caixa, é possível lucrar com uma eventual alta das cotações. Se os bancos aumentam a posição comprada, significa que estão comprando moeda estrangeira, o que aumenta a demanda e pressiona as cotações.

Medidas. Essa é a terceira medida cambial que havia sido tomada para evitar uma "enxurrada" de dólares no País a ser revogada nas últimas três semanas. No dia 4 de junho, o Ministério da Fazenda zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos estrangeiros em renda fixa, que era de 6%, para incentivar a entrada de dinheiro no País.

Depois da mudança, foi verificada uma entrada de US$ 5 bilhões no País em junho até dia 19 para esse tipo de investimento, mais do que o registrado entre janeiro e maio deste ano. Uma semana depois, a Fazenda zerou também o IOF sobre contratos de câmbio (derivativos cambiais), que era de 1%, outra medida criada em 2011, quando se temia a entrada de um "tsunami" de dólares no País.

Além disso, desde o final de maio, o BC voltou a realizar leilões de contratos de câmbio (os chamados swaps) e a emprestar dinheiro das reservas em moeda estrangeira.

Interferência. Para o diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima, a ação do BC não é coerente com o seu discurso de que apenas interfere no mercado com o objetivo de minimizar a volatilidade dos mercados. "Fica claro para mim que o BC busca um nível de câmbio mais baixo por conta da pressão sobre a inflação." Ele lembrou também que ontem o dólar fechou em queda. O economista disse ainda que essa medida vai acabar criando mais volatilidade.

Lima lembrou, além disso, que o Banco Central já fez um vaivém com essa medida, que acabou zerada ontem. Inicialmente, em janeiro de 2011, a quantia compulsória incidia sobre o valor de US$ 3 bilhões. Depois, em julho, quem ultrapassasse a marca de US$ 1 bilhão já sofreria esse tipo de "punição", que é deixar parte dos recursos sem qualquer remuneração. Por fim, no final do ano passado, o BC decidiu novamente voltar o teto para os US$ 3 bilhões. As atuações do Banco Central se deram de acordo com o cenário de mercado do momento.

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