Beto Nociti|BCB
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Banco Central deve reduzir juros mais uma vez nesta quarta-feira

Inflação abaixo das expectativas no mercado reacendeu entre as instituições a possibilidade de nova queda nesta reunião do Copom

Thaís Barcellos e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

21 Março 2018 | 10h09

Após a confirmação da inflação mais baixa, economistas do mercado financeiro consolidaram a aposta de que o juro básico da economia deve cair mais uma vez. Entre as 65 instituições consultadas pelo Estadão/Broadcast, 59 esperam que a taxa básica de juros caia de 6,75% para 6,5%, enquanto seis estimam manutenção no nível atual. 

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Em fevereiro, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 7,00% para 6,75% ao ano, no 11º corte consecutivo. Na ocasião, o grupo sinalizou que uma nova redução poderia ocorrer em março apenas se o cenário melhorasse e o risco diminuísse. As apostas do mercado mudaram bastante desde o encontro de fevereiro. Naquela ocasião, o comunicado sinalizava, segundo os economistas, que o Banco Central deveria ter encerrado o ciclo de queda da Selic. 

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Mas, no dia seguinte, o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro ficou bem abaixo das expectativas no mercado e reacendeu entre as instituições a possibilidade de nova queda em março. Isso porque o BC havia colocado justamente a manutenção da inflação baixa como uma condicionante que possibilitaria a continuidade dos cortes neste mês. Depois, a ata, segundo economistas, reforçou a possibilidade de nova flexibilização monetária.

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Desde então, as surpresas de inflação consolidaram no mercado a expectativa de a Selic ir a 6,5%, principalmente porque os núcleos e os serviços subjacentes continuam em níveis bastante confortáveis. E mais: agora já se cogita novas reduções do juro à frente, com algumas instituições já colocando em suas planilhas quedas adicionais e outras não descartando a possibilidade, mas estão à espera do comunicado do Copom para definir suas apostas.

"As surpresas baixistas com a inflação e a retomada moderada da atividade levarão o BC a um novo corte de 25 ponto porcentual. Contudo, considerando os efeitos defasados da política monetária e o balanço de riscos, o mais provável é que tenhamos o encerramento do ciclo de flexibilização monetária neste mês, caso o cenário evolua conforme o esperado", avalia o Bradesco em relatório. O banco alterou esse mês sua projeção para o IPCA deste ano, de 3,9% para 3,5%.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, ressalta que o IPCA em 12 meses está há oito meses abaixo do piso de 3% do centro da meta de 4,5%, provocando inércia nesse patamar, ao mesmo tempo que as expectativas estão caindo e os indicadores de Índice Geral de Preços (IGP) ainda estão negativos em 12 meses.

"Em março, o IPCA vai continuar abaixo de 3,0% e ainda deve ser mais baixo do que a taxa de 2,84% acumulada até fevereiro. Como estou vendo a atividade mais fraca, principalmente consumo, os vetores apontam para mais uma rodada de leituras favoráveis de inflação. E, se você tem IPCA abaixo do piso da meta, tem de reduzir a Selic", diz Gonçalves, que estima que a Selic deve ir a 6% em junho.

Mas, embora reconheça que as chances de novo corte da Selic para 6,5% tenham aumentado, o economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, mantém a expectativa de juro inalterado em 6,75% neste mês. Segundo ele, uma flexibilização monetária adicional dependeria de uma mudança do cenário de inflação no médio prazo, não só no curto prazo. "Ainda tem o recado negativo sobre a reforma da Previdência. A mensagem mais forte é de que o ciclo se encerrou", reforça.

 

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