Banco Central divulga hoje ata do Copom

O Banco Central divulga hoje a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do último dia 19, que elevou a taxa de juros pela quinta vez consecutiva e provocou um "tsunami" nos bastidores do governo, segundo descreveu um assessor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou frustrado por começar 2005, escolhido para ser "o ano dos resultados", pisando no freio da economia. A turma do "fogo amigo", que defende menos austeridade na política econômica, voltou à carga. No entanto, Lula foi mais uma vez convencido que o risco do descontrole inflacionário permanece vivo. Daí porque o BC optou por elevar os juros mais uma vez, de 17,75% para 18,25%.Ontem à tarde, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tentava encontrar espaço em sua agenda de hoje para conceder uma entrevista coletiva e explicar, mais uma vez, as causas da decisão do Copom. Tentará, dessa forma, pontuar as explicações que constarão da ata e que são esperadas com ansiedade pelos analistas econômicos. Se ele de fato falar com a imprensa, será a terceira vez que virá a público defender a política monetária somente este mês. A primeira foi antes mesmo da reunião do Copom, na quinta-feira passada, um dia depois da decisão ser divulgada, ele voltou a defendê-la publicamente.De acordo com informações da área técnica, a ata deverá enfatizar, mais uma vez, que há incertezas com relação ao nível de atividade e suas repercussões sobre a inflação. Em outras palavras: avalia-se que a economia está crescendo num ritmo mais forte do que a capacidade instalada permite. O nível de investimentos ainda é insuficiente para dar sustentação a esse processo. Quando ocorre esse descasamento, as empresas aproveitam para remarcar preços e recompor suas margens de lucro. Isso, por sua vez, provoca mais inflação.Essa leitura foi o que motivou o convite que Lula fez ao presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, para discutir a política monetária, semana passada. Também estavam na conversa o ministro Palocci e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Há preocupação, por um lado, do efeito das remarcações sobre a inflação e os juros. Por outro, a elevação dos juros deverá desacelerar os investimentos, alimentando um ciclo vicioso. Monteiro defende um diálogo permanente entre os dois lados, como forma de romper esse mecanismo. A busca da parceria com o empresariado, para romper o dilema de escolher entre inflação e crescimento, é uma idéia que une paloccistas e a turma do fogo amigo. "Precisamos sair dessa lengalenga", disse na semana passada um integrante da ala ´gastadora´.O mercado financeiro, por sua vez, aposta que o governo terá de aceitar um pouco mais de inflação neste ano. Esta semana, pela segunda semana seguida, as mais de 100 instituições financeiras que respondem à pesquisa Focus do Banco Central estimaram que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 5,7% - acima da meta do Banco Central, que é 5,1%. As chamadas Top 5, os bancos que mais acertam na suas previsões, acham até que a inflação ficará um pouco acima disso: 5,75%. As apostas ontem é que haverá uma nova alta em fevereiro, de 0,5% ou de 0,25%. A retomada dos cortes nos juros não é esperada antes do segundo semestre deste ano.

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