KAREN BLEIER/AFP
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Banco central dos Estados Unidos eleva taxa de juros pela terceira vez em 2018

Membros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiram, por unanimidade, elevar taxa de juros para faixa entre 2 e 2,25% nesta quarta-feira, 26

Victor Rezende, Monique Heemann e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2018 | 15h28

Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do banco central americano (Federal Reserve) decidiram, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros (Fed funds) em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 2,00% e 2,25% nesta quarta-feira, 26. A decisão marca o terceiro aumento nos juros pela autoridade monetária dos Estados Unidos este ano.

A elevação era largamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. De um total de 75 instituições consultadas pelo Broadcast, todas esperavam uma nova alta de 25 pontos-base na taxa dos Fed funds, que, assim, atingiu um nível não visto desde abril de 2008.

Ao justificar a decisão de dar prosseguimento ao aperto monetário iniciado em dezembro de 2015, o Fed afirmou, em comunicado, que as informações recebidas desde a reunião do início de agosto indicam que o mercado de trabalho dos EUA continuou a ganhar fôlego e que a atividade americana apresenta expansão a um ritmo "forte".

No início deste mês, o relatório de empregos do país mostrou que o salário médio por hora do trabalhador americano avançou 2,9% na comparação anual de agosto, no ritmo mais acelerado no atual ciclo de expansão econômica. Além disso, o índice de atividade industrial medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) alcançou o menor nível em 14 meses no dado referente a agosto.

Além disso, o Fed também pontuou que os gastos das famílias e os investimentos fixos das empresas cresceram fortemente desde agosto e que a inflação permanece próxima da meta de 2% estabelecida pelo banco central. O indicador de preços acompanhado de perto pelo banco central atingiu o maior nível em seis anos na leitura referente a julho, ao subir 2,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior, alcançando a marca desejada pela autoridade monetária.

Ainda no documento, o Federal Reserve reiterou que espera aumentar as taxas de juros de maneira gradual, o que seria "consistente com a expansão sustentada da atividade econômica, condições fortes do mercado de trabalho e inflação próxima da meta de 2%". Além disso, de acordo com o banco central, os riscos para a perspectiva econômica parecem "mais ou menos equilibrados".

O Fed também retirou a expressão "acomodatícia" do comunicado. Já havia uma discussão entre analistas de que o banco central poderia retirar essa palavra em meio às elevações nas taxas de juros que vem promovendo desde 2015. Desde então, os juros americanos foram elevados em oito ocasiões, levando em consideração a reunião desta quarta-feira.

Dirigentes do Fed elevam projeção para crescimento do PIB

Os 16 dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevaram a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos para este e para o próximo ano e mantiveram a estimativa para 2020 inalterada em relação às estimativas divulgadas após a reunião de política monetária de junho.

Para 2018, a mediana das estimativas de crescimento da economia americana subiu de 2,8% em junho para 3,1% agora. Para 2019, a projeção avançou de 2,4% para 2,5%. Em 2020, as estimativas dos dirigentes do Fed permaneceram em 2,0% e, para 2021, o banco central prevê um crescimento de 1,8% do PIB dos EUA.

Na projeção de longo prazo, a mediana das projeções dos dirigentes aponta para expansão de 1,8% do PIB americano, o mesmo valor estimado nas reuniões de março e de junho.

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