Manuel Balce Ceneta/AP
Manuel Balce Ceneta/AP

Com inflação baixa, banco central dos EUA mantém taxa de juros

Decisão do Federal Reserve traz alívio momentâneo para os mercados emergentes, que poderiam ver uma fuga de capital e elevação do dólar; decisão não foi unânime

O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2015 | 15h11

Atualizado às 15h48

WASHINGTON - O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) manteve inalterada a taxa básica de juros entre 0% e 0,25%. A decisão teve nove votos a favor e um contra. O dissidente foi o dirigente da distrital de Richmond, Jeffrey Lacker.

Os juros estão na faixa entre 0% e 0,25% desde dezembro de 2008. A última vez que o BC norte-americano iniciou um período de aperto monetário foi em junho de 2004. 

A presidente do Fed, Janet Yellen, tem deixado claro que prefere adiar a alta da taxa de juros do que agir mais cedo e correr o risco de afetar a fraca recuperação econômica. A decisão do BC norte-americano acontece em um cenário de quase pleno emprego, mas com inflação e crescimento salarial fracos.

A elevação dos juros dos Estados Unidos pelo Fed desencadearia um aumento das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano, o que atrairia capital externo para os EUA. 

Além de os títulos dos EUA terem menor risco, os países emergentes, como Brasil, Rússia e China, estão enfrentando uma série de problemas domésticos que têm reduzido o crescimento econômico e preocupado investidores ao redor do mundo. 

Como resultado da decisão do Fed, o dólar desacelerou a alta ante o real e passou a subir 0,57%, cotado a R$ 3,855, bem distante da máxima vista mais cedo, de R$ 3,906.

Segundo o economista Thiago Biscuola, da RC Consultores, a decisão do Fed dá um fôlego a mais para a economia brasileira. Se o banco central tivesse anunciado a alta na reunião de hoje, o Brasil poderia enfrentar uma fuga de capital. Para ele, o aumento dos juros deve ficar só para o ano que vem, como já previa a RC antes da decisão.

Cenário externo. O Fed indicou que a sua decisão de política monetária pode depender dos desdobramentos dos acontecimentos no exterior. Apesar de não deixar claro quando vai haver a primeira alta dos juros nos EUA, os dirigentes da instituição acreditam que ela vai ocorrer ainda este ano.

"Desenvolvimentos econômicos e financeiros globais recentes podem restringir um pouco a atividade econômica e são suscetíveis de colocar ainda mais pressão descendente sobre a inflação no curto prazo", diz o comunicado do Fed. O texto cita ainda que os dirigentes vão "acompanhar os acontecimentos no exterior", em um sinal de elevada preocupação de que o crescimento lento fora no exterior pode prejudicar a economia dos EUA.

A decisão mostra ainda que 13 dos 17 dirigentes acreditam que vai haver uma elevação de juros em dezembro, embora sem citar quando isso vai ocorrer. Na reunião de junho, 15 apostavam em uma alta até o final do ano. As duas próximas reuniões da instituição são em outubro e dezembro.

Projeções. O Fed  aumentou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos para este ano para 2,1%, ante projeção de +1,9% divulgada em junho. Para 2016, a economia do país deve crescer 2,3%, ante estimativa de junho de 2,5%.

Em relação ao emprego, as autoridades do Fed esperam progresso nos postos de trabalho. Eles acreditam que a taxa de desemprego, que atualmente está em 5,1%, recue para 5,0% no quarto trimestre, abaixo da projeção de junho, de 5,3%. Sobre inflação, o Fed prevê agora taxa de 0,4% em 2015, abaixo da estimativa de 0,7% de junho. Ainda para 2015, a previsão do Fed para o núcleo da inflação subiu para 1,4%, de 1,3% em junho. (Com informações da Dow Jones Newswires e de André Ítalo Rocha, Niviane Magalhães e Gabriel Bueno da Costa da Agência Estado)

Mais conteúdo sobre:
economiaFedjurosemergentes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.