Banco Central e governo divergem sobre risco de inflação

Diretor do BC volta a afirmar que pode haver alta nos preços, devido ao descompasso entre oferta e demanda

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

28 de março de 2008 | 12h50

Apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter declarado na quinta-feira, 27, que está tranqüilo em relação às pressões inflacionárias no País, integrantes da equipe do Banco Central continuam afirmando que há risco de alta nos preços neste ano. O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, afirmou nesta sexta que a instituição prevê risco de inflação derivado do descompasso entre o ritmo de expansão da oferta e da demanda. Veja também:BC espera inflação maior que meta, mas Mantega está tranqüiloBC prevê inflação acima do centro da meta neste anoEntenda os principais índices de inflação   Além disso, Mesquita disse que se a desaceleração da economia mundial for mais intensa, pode aumentar os riscos por aqui, porque poderia reduzir os preços de commodities, "o que contribuiu para reduzir a inflação aqui dentro". Além disso, a crise "pode aumentar a aversão ao risco e a nossa capacidade de importar se reduziria", disse o diretor. A importação também tem contribuído para manter a inflação baixa no Brasil.  Na quinta, o BC divulgou relatório trimestral em que elevou a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano para 4,6%, pouco acima do centro da meta do governo federal. No mesmo dia, Mantega afirmou que o aumento da projeção não preocupa o governo. Segundo o ministro, não há pressões inflacionárias neste momento, diferentemente do que ocorreu no ano passado por conta da alta dos preços dos alimentos. "A inflação está dentro do centro da meta e não preocupa", disse. Mesquita não quis comentar as declarações do ministro. "A avaliação do Banco Central foi colocada de forma muito nítida no relatório de inflação. Não cabe a mim comentar avaliação de outras autoridades do governo", disse.

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