Banco Central e sindicato divergem sobre motivo da redução de viagens

BRASÍLIA - Os fiscais do Banco Central estão viajando menos pelo País. Neste ano, o órgão realizou 1.019 viagens de inspeção, o menor número dos últimos 11 anos. A assessoria do banco afirma que a redução de deslocamentos de servidores se deve a uma evolução do processo de monitoramento, que dispensou a necessidade de viagens. As restrições orçamentárias, segundo o BC, não explicam a queda das visitas. Os representantes dos funcionários têm outra explicação. Eles dizem que faltam pessoal e dinheiro para pagar hotel e alimentação.

Leonêncio Nossa, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2013 | 02h11

De janeiro até agora, o Banco Central realizou 1.402 atividades de fiscalização. É a metade do ocorrido em 2003, por exemplo, com quase 3 mil vistorias. Por meio de sua assessoria, o órgão informou que criou, nos últimos anos, novas ferramentas que permitiram o cruzamento massivo de informações.

"O Sistema de Informações de Crédito (SCR), por exemplo, recebe por mês, mais de 400 milhões de registros detalhados sobre operações de crédito e devedores, representando 99% em valor de todas as operações existentes no mercado", destacou o banco. "Dessa forma, não há vínculo da evolução dos números com eventuais restrições orçamentárias."

Por sua vez, o Sindicato Nacional dos Funcionários do BC diz que recebeu informações de que pelo menos 40 viagens foram canceladas porque o fiscal alegou que a diária não pagava as despesas de hotel e alimentação. A maioria era para cidades do interior de São Paulo.

"Os servidores acabaram fazendo o jogo de economizar do governo, que faz ajuste fiscal pela via torta", afirma Daro Piffer, presidente do sindicato. O valor da diária no Executivo para quem tem cargo de nível superior varia de R$ 177 (viagens para qualquer cidade que não seja capital) a R$ 224,20 (Brasília, Manaus e Rio de Janeiro). / L.N.

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