Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Segundo o BC, aumento na projeção do PIB reflete o resultado melhor do que o esperado no 1º trimestre. Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Banco Central eleva para 4,6% a previsão de crescimento do PIB em 2021

Projeção ainda está abaixo da expectativa do mercado financeiro, que já vê alta de 5% na atividade econômica este ano

Fabrício de Castro e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 09h56

BRASÍLIA - O Banco Central ampliou de 3,6% para 4,6% sua estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2021, de acordo com o relatório de inflação do segundo trimestre, divulgado nesta quinta-feira, 24.

Mesmo assim, a previsão do BC está abaixo da expectativa do mercado financeiro da última semana, que prevê uma alta de 5% para o nível de atividade neste ano. Em maio, o Ministério da Economia estimou uma expansão de 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia de covid-19, que derrubou o PIB em 2020. Entretanto, a economia tem mostrado forte reação nos últimos meses, com a recuperação da atividade mundial e a alta dos preços das commodities (produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo).

Segundo o Banco Central, o aumento na previsão para o PIB deste ano reflete, principalmente, o resultado melhor do que o esperado no primeiro trimestre, quando foi registrada uma alta de 1,2%, apesar da piora da crise sanitária. O BC diz esperar resultado próximo à estabilidade para o nível de atividade no segundo trimestre e "crescimento ao longo da segunda metade do ano".

"Adicionalmente, recuperação parcial da confiança dos agentes econômicos, medidas de preservação do emprego e da renda, prognóstico de avanço da campanha de vacinação, elevados preços de 'commodities' e efeitos defasados do estímulo monetário [cortes de juros do ano passado] indicam perspectivas favoráveis para a economia", acrescentou a instituição.

A instituição informou, ainda, que apesar da redução significativa dos riscos para a recuperação econômica, ainda há "bastante incerteza sobre o ritmo" de crescimento.

"Entre os fatores que podem diminuir a taxa de expansão destaca-se o risco de surgimento ou disseminação de novas variantes de preocupação do SARS-CoV-2. Dificuldade para obtenção de insumos e custos elevados em algumas cadeias produtivas e eventuais implicações da crise hídrica na bacia hidrográfica do Paraná para a geração de energia elétrica são fatores adicionais que podem atenuar o ritmo de recuperação da atividade", avaliou o Banco Central.

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BC sobe para 5,8% estimativa de inflação e vê 74% de chance de estouro da meta este ano

Segundo relatório do Banco Central, os preços controlados pelo governo devem exercer maior pressão sobre a inflação no curto prazo, principalmente as tarifas de energia elétrica

Fabrício de Castro e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 09h51

BRASÍLIA - O Banco Central informou nesta quarta-feira, 24, que subiu de 5% para 5,8% sua estimativa de inflação para o ano de 2021 e que passou de 41% para 74% as chances de a alta nos preços superar o teto da meta, de 5,25%, previsto para este ano. Se a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões que fizeram com que a inflação fugisse do controle da instituição.

A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que consta no relatório de inflação do segundo trimestre deste ano, divulgado nesta quinta-feira, 24, considera a trajetória estimada pelo mercado financeiro para a taxa de juros e de câmbio neste ano e no próximo.

O centro da meta de inflação, em 2021, é de 3,75%. Pelo sistema vigente no País, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Ou seja, a projeção do BC está bem acima do teto do sistema de metas.

Segundo o BC, os preços administrados (controlados pelo governo) devem exercer maior pressão sobre a inflação no curto prazo. Isso vai ocorrer sobretudo em função da alta das tarifas de energia elétrica advinda tanto de reajustes quanto da transição para a bandeira vermelha 2.

No relatório desta quinta, o BC publicou projeções para a inflação no curto prazo, de 0,62% em junho, 0,39% em julho e 0,26% em agosto. Ao avaliar o movimento mais recente dos preços, o BC ponderou ainda que a inflação no segundo trimestre foi particularmente afetada pela mudança na bandeira de energia.

Além da pressão de alta para a inflação exercida pela energia elétrica, o BC destacou um fator de baixa ligado às tarifas dos planos de saúde individuais. “Merece menção a expectativa de reajuste negativo das tarifas de planos de saúde individuais, motivada pela queda em 2020 das despesas assistenciais das operadoras desses planos”, disse o BC. 

Porém, a própria autarquia relativizou o peso deste item sobre a inflação. “O reajuste negativo apenas moderará as variações mensais do subitem plano de saúde ao longo dos próximos meses, na medida em que sua apuração no IPCA é diluída por doze meses e que ainda serão contabilizadas parcelas referentes ao reajuste de 2020, que entrou em vigor apenas em janeiro de 2021”.

Ao avaliar a trajetória dos preços livres (que não controlados pelo governo) no curto prazo, o BC disse esperar que os bens industriais sigam apresentando “alta relevante”. A autarquia também espera que os alimentos tenham uma “variação pequena” no curto prazo, “mas acima do padrão sazonal tipicamente favorável, dado que os preços de alimentos in-natura recuaram anteriormente em razão da antecipação do período seco”.

No documento, o BC também afirmou que os preços de serviços devem acelerar “moderadamente”, “refletindo o arrefecimento da pandemia em comparação à situação observada em março e abril”.

Em suas últimas publicações e em comentários públicos de autoridades, o BC vem defendendo que o avanço da vacinação pode criar uma “euforia” de consumo de serviços, com impactos na inflação. Conforme o BC, isso vem ocorrendo em países onde a vacinação está mais avançada, como os Estados Unidos.

Revisões

O BC também citou os fatores que levaram às revisões das projeções de inflação no documento anterior, de março, para o RTI publicado nesta quinta. Os cinco principais fatores de alta para a os índices de preços foram: inflação observada recentemente maior do que a esperada; revisão das projeções de curto prazo, refletindo as pressões correntes; elevação dos preços de commodities (produtos básicos), incluindo o preço do petróleo; crescimento das expectativas de inflação da pesquisa Focus; alteração da hipótese sobre a bandeira tarifária da energia elétrica para os finais de 2021, 2022 e 2023, que aumentou a projeção para o primeiro.

Além disso, o BC citou três principais fatores de revisão para baixo das projeções: trajetória mais elevada da taxa Selic da pesquisa Focus, que representou um aumento significativo da taxa real considerada; apreciação cambial; queda do indicador de incerteza econômica em ritmo inferior ao considerado.

As projeções de inflação no cenário básico do BC são de 5,8% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,3% para 2023.

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