Banco Central está sempre alerta, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, negou que esteja preocupado com os efeitos da volatilidade dos mercados sobre a economia brasileira mas admitiu que a instituição está atenta. "O Banco Central, por definição, preocupa-se 100% com tudo. Estamos sempre alerta", afirmou em entrevista aos correspondentes brasileiros em Buenos Aires. Na terça-feira, ele participou de um seminário sobre "Política Monetária e Estabilidade Financeira: da teoria à prática", promovido pelo Banco Central da Argentina.Meirelles disse que os mercados refletem "as incertezas geradas pela conclusão da mudança de política monetária norte-americana". Em sua opinião, "esse ajuste monetário começa a aproximar-se do final. Evidentemente, uma diferença de 0,25% ou meio ponto na movimentação da política monetária norte-americana faz uma diferença importante na economia americana e no resto do mundo".O presidente do BC considera que a "volatilidade é normal na medida em que aumentam as incertezas, assim como é normal que haja impactos importantes causados por declarações de autoridades que o mercado procura ler nas entrelinhas", numa menção à queda das bolsas na segunda-feira após as declarações do presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Ben Bernanke, sobre a inflação naquele país.Indagado sobre se a expectativa do BC brasileiro é de que a instabilidade externa não se prolongue por muito mais tempo, ele respondeu que "os mercados sinalizam que esperam uma conclusão do movimento de aperto monetário do Fed, mas o problema é que essa conclusão pode dar-se em três números diferentes para a taxa de juros americana, o que causa a instabilidade".Meirelles voltou a bater na tecla de que o Brasil está hoje com a economia sólida. "Tem uma conta corrente superavitária; tem reservas internacionais elevadas; tem todos os índices de solvência externa muito bons; está crescendo, gerando emprego, com crescimento liderado pela demanda interna". Segundo ele, "o Brasil está em condições muito mais confortáveis do que no passado para atravessar momentos de instabilidades que ocorrem de tempos em tempos nos mercados internacionais e de aversão ao risco".Desvalorização do realO presidente do BC afirmou que não está preocupado com o fato do real ter sido a moeda latino-americana que mais desvalorizou-se (-11%) em maio, comparando com o peso chileno (-4%); o peso mexicano (-2,5%) e o peso argentino (-1%). "O que aconteceu foi que, entre outras razões, o real tinha se valorizado muito mais que outras moedas e é natural, em momentos de ajustes dos mercados mundiais, que os mercados tenham oportunidade de ajustar-se também", argumentou. Ele disse ainda que "o real está forte no sentido de que a economia está forte".Meirelles também negou qualquer preocupação em relação ao aumento do gasto público. "As hipóteses assumidas pelo BC consideram um superávit primário de 4,5% para 2006 e não há modificações dessa projeção", afirmou. Ele não quis responder se o cenário internacional poderia interromper a baixa gradual das taxas de juros no Brasil. "Não fazemos previsão sobre nossas movimentações futuras", justificou.Em sua apresentação durante o seminário do BC argentino, Meirelles fez uma longa defesa da política econômica adotada pelo governo brasileiro e da "importância de adotar enfoques mais flexíveis das variáveis no regime de metas de inflação". Meirelles lembrou que "nesse momento, se discute no Brasil se o BC é muito inflexível" e mandou seu recado: "Somos flexíveis nas variáveis mas não somos flexíveis em cumprir nossa missão que é a meta da inflação".Ele comparou as políticas econômicas aplicadas na década de 90 com a atual e lançou um desafio para uma platéia de economistas e analistas internacionais, argentinos e brasileiros. "Não tem de fazer análise, é só olhar os números e ver que o país tem hoje uma economia sólida".

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