Banco Central Europeu mantém juro e sinaliza que está pronto para novas medidas

Banco Central Europeu mantém juro e sinaliza que está pronto para novas medidas

Presidente do BCE, Draghi reiterou que poderá adotar mais instrumentos não convencionais de estímulo à economia europeia, mas que fará preparação do mercado

REUTERS

06 de novembro de 2014 | 13h29


O Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta quinta-feira, 6, manter as taxas de juros da zona do euro na mínima histórica, enquanto aguarda para ver como as medidas de estímulos adotadas nos últimos meses se desenrolam.

Em entrevista, o presidente do BCE, Mario Draghi, sinalizou, no entanto, que a instituição está preparada para adotar mais medidas de política monetária e a equipe do banco central irá preparar o terreno caso necessário.

Em setembro, quando o BCE cortou os juros da zona do euro para a mínima histórica, Draghi disse que os juros haviam chegado "ao piso". Por esse motivo, a decisão de hoje já era amplamente esperada pelo mercado.

A taxa de refinanciamento da zona do euro ficou em 0,05%. O BCE também manteve a taxa sobre depósitos overnight negativa em 0,20%, o que significa que bancos pagam para deixar recursos no Banco Central Europeu, e deixou sua taxa de empréstimo em 0,30%.

Com a decisão, as principais bolsas europeias fecharam em alta. O índice Stoxx 600 encerrou a sessão com alta de 0,21%, aos 337,08 pontos. A análise do mercado é de que o BCE sinalizou que está mais perto de lançar medidas mais agressivas de estímulo.Novas medidas? Draghi disse que ainda existem riscos à recuperação da zona do euro. "O Conselho é unânime em seu compromisso de usar instrumentos não convencionais adicionais dentro de seu mandato", afirmou à imprensa. Antes de qualquer medida, Draghi sinalizou que a equipe do BCE e os comitês relevantes (de bancos centrais) farão a preparação do terreno, carro novas medidas sejam necessárias.

Depois que o Federal Reserve, (Fed, o banco central dos Estados Unidos), encerrou seu programa de compra de títulos ao mesmo tempo que o banco central do Japão (BoJ) elevou seu programa de estímulo, os mercados estão tentando julgar quão perto o BCE está de lançar medidas mais agressivas, como "quantitative easing" - a impressão de dinheiro para comprar grandes quantidades de títulos de governos.

A desconfiança do mercado vem do desconforto crescente acerca do estilo de liderança de Draghi.

A Reuters publicou na terça-feira que presidentes de bancos centrais da zona do euro planejavam desafiar Draghi sobre seu estimulo de comunicação, e em particular sobre a menção de uma meta para o balanço contábil de quanto dinheiro o BCE planeja injetar na economia após o Conselho ter concordado em setembro em não divulgar qualquer número. Draghi reafirmou a meta, dizendo que o balanço "voltará rumo às dimensões que tinha no começo de 2012". 

Para evitar que a zona do euro caia em deflação, o BCE começou a injetar mais dinheiro no sistema bancário através da compra de dívidas privadas e ofertas de empréstimos de longo prazo, visando aumentar seu balanço em até 1 trilhão de euros.

Há dúvidas crescentes sobre se as medidas atuais serão o bastante, mas o BCE deve aguardar até que tenha uma visão mais clara sobre a economia e o impacto de suas compras de ativos e empréstimos de quatro anos para bancos, antes de adotar mais estímulos.

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