DANIEL ROLAND|AFP
DANIEL ROLAND|AFP

Banco Central Europeu mantém política de juros baixos

Taxa de refinanciamento permanece em zero e a de depósitos em -0,40%, apesar das críticas da Alemanha

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2016 | 20h55

FRANKFURT - O Banco Central Europeu (BCE) divulgou ontem decisão de política monetária e manteve todas as taxas de juros inalteradas. A taxa de refinanciamento ficou em zero e a taxa de depósito, em -0,40%.

Em comunicado, a autoridade monetária disse que começou a expandir as compras mensais no âmbito do seu programa de compra de ativos para ¤ 80 bilhões. O banco central anunciou essa mudança na reunião anterior, em março. “O foco está agora na aplicação das medidas não convencionais adicionais decididas em 10 de março.”

A decisão do BCE vem depois de movimentos dramáticos da instituição no mês passado, quando cortou todas as suas taxas de juro, aumentou o tamanho e o escopo do seu programa de compra de títulos e ofereceu empréstimos a bancos para incentivá-los a emprestar para empresas e famílias.

O anúncio ocorre em meio a um momento em que a zona do euro continua a lutar para levar a inflação de volta à meta de médio prazo do banco central, algo um pouco abaixo de 2%. Em março, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro ficou estável em relação a igual mês do ano passado. Na comparação com fevereiro, apresentou alta de 1,2%.

Críticas. O presidente do BCE, Mario Draghi, respondeu com dureza ao ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, que recentemente criticou os juros baixos.

“O BCE tem o mandato de proporcionar estabilidade de preços para toda a zona do euro, e não só para a Alemanha. Esse mandato é estabelecido por lei e nós obedecemos a lei, e não a políticos”, disse Draghi em uma coletiva de imprensa após a reunião do conselho do BCE. Segundo ele, “o conselho é unânime em defender a independência do BCE e a adequação da política monetária atual”. Draghi também afirmou que “a política monetária não é muito diferente do que se aplica em outras partes do mundo e funciona, simplesmente precisa de tempo”.

Schaeuble havia dito que não estava contente com as baixas taxas de juros praticadas pelo BCE, algo que preocupa muito os alemães, que consideram que essa política está prejudicando seus investimentos e fundos de pensão.

Draghi também indicou que a autoridade monetária da zona do euro pode implementar mais estímulos monetários caso as ameaças globais empurrem a recuperação econômica da região para fora dos trilhos. “As condições financeiras melhoraram, mas incertezas persistem.” / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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