Banco Central Europeu mantém taxa de juro em 4%

Decisão já era espera. Presidente da instituição alerta para riscos de inflação no curto prazo

Reuters,

06 de março de 2008 | 10h56

O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa básica de juros da zona do euro em 4% nesta quinta-feira, em linha com previsão do mercado, já que os riscos para o crescimento econômico ainda não são grandes o suficiente para superar as preocupações com a inflação. O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, deve comentar a alta dos preços e a desaceleração do crescimento em uma entrevista ainda nesta quinta-feira. Além de manter a taxa principal de refinanciamento em 4%, o BCE também afirmou que os juros de depósito continuam em 3% e que a taxa de empréstimo marginal em 5%. Todos os 72 economistas consultados pela Reutes na semana passada tinham expectativa de manutenção nas taxas de juros. Contudo, a maior parte prevê que o banco central irá reduzir os juros para pelo menos 3,75% até o final de junho, pressupondo que a inflação recorde comece a reduzir até lá. A inflação anual na zona do euro foi de 3,2% em janeiro e fevereiro, o maior nível desde o início de 1997 e bem acima da projeção de pouco menos de 2% do BCE.   Preocupações   De fato, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, ressaltou a existência de "pressões de alta de curto prazo sobre a inflação" e os riscos de alta para a estabilidade dos preços no médio prazo, dado o robusto crescimento do crédito e da base monetária da zona do euro. Ele declarou que a manutenção da estabilidade dos preços no médio prazo "é da maior prioridade" ao BCE. Segundo Trichet, os fundamentos econômicos da zona do euro são sólidos. No entanto, ele alertou que há incertezas econômicas extraordinariamente elevadas" hoje e alertou que o avanço dos preços das commodities aumentam os riscos de alta para o crescimento econômico. O presidente do BCE afirmou que está confiante de que a política monetária atual do BCE vai "contribuir" para o controle dos riscos inflacionários e o apoio ao crescimento econômico, sugerindo que cortes de juros não estão no horizonte de curto prazo do banco. Trichet enfatizou o compromisso do BCE em evitar os efeitos secundários da inflação e a "materialização dos riscos de alta para a estabilidade dos preços no médio prazo". "Nos vamos continuar a monitorar de muito perto todos os desdobramentos nas próximas semanas". Trichet concedeu a coletiva de imprensa pouco depois de o BCE anunciar a decisão de manter a taxa de juros inalterada. Segundo ele, não houve pedidos nem para elevar nem para cortar os juros.     Previsões     As projeções da equipe do BCE prevêem que o índice de preços ao consumidor (CPI) da zona do euro fique entre 2,6% e 3,2% neste ano e entre 1,5% e 2,7% no ano que vem. Os números também sugerem que há pouca inclinação do banco em reduzir os juros dos atuais 4,0%. O BCE deseja manter a inflação de médio prazo abaixo de 2,0%. Trichet também destacou as previsões da equipe do BCE para o crescimento da zona do euro. Para 2008, a estimativa vai de 1,3% a 2,1% e, para 2009, de 1,3% a 2,3%. Segundo Trichet, a taxa de crescimento deve ficar em 1,7% neste ano e 1,8% no ano que vem, abaixo das projeções anteriores de 2,0% e 2,1% para os dois anos, respectivamente. 

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