Daniel Roland/AFP
Daniel Roland/AFP

Banco Central Europeu mantém taxas de juros e promete manter estímulos até março de 2017

Ao manter a taxa de depósito em território negativo, o BCE espera reanimar inflação e o crescimento em uma região afetada por quase uma década de crises econômicas

Gabriel Bueno da Costa e Sergio Caldas, Reuters

08 Setembro 2016 | 10h06

FRANKFURT - O Banco Central Europeu (BCE) manteve sua postura já frouxa de política monetária nesta quinta-feira como esperado, deixando as taxas de juros em mínimas recordes e prometendo preservar as compras mensais de ativos de 80 bilhões de euros até ao menos março "ou além, se necessário".

Ao manter a taxa de depósito em território negativo e imprimir dinheiro a um ritmo recorde, o BCE espera reanimar inflação e o crescimento em uma região afetada por quase uma década de problemas e crises econômicas.

Mas suas medidas não testadas e muitas vezes não convencionais e controversas ainda são consideradas insuficientes, então a expectativa é de que o BCE forneça ainda mais estímulo antes do final do ano já que os governos têm fracassado há anos em fazer sua parte para impulsionar o crescimento.

O BCE manteve a taxa de depósito em -0,4%, cobrando dos bancos o dinheiro no overnight, e deixou a taxa de refinanciamento, que determina o custo do crédito na economia, em zero por cento. Também manteve março como data final para suas compras de ativos com a ressalva de que o esquema pode ser prorrogado se a inflação não estiver se recuperando.

Repetindo sua orientação futura usual, o BCE acrescentou que os juros permanecerão no nível atual ou mais baixo por um período prolongado, postura que pretende assegurar aos investidores que qualquer reversão nos juros está a muitos anos de distância.

De acordo com o dirigente Mario Draghi, o BCE  usará "todos os instrumentos, se necessário", para atingir sua meta de apoiar a economia da zona do euro e impulsionar a inflação.

Em entrevista coletiva após o BCE manter a política monetária, Draghi disse que será mantido um montante "muito substancial" de apoio monetário e que a instituição monitora os acontecimentos econômicos e nos mercados muito atentamente. A autoridade monetária advertiu que o cenário-base do BCE "está sujeito a riscos de baixa". Para ele, a inflação está seguindo esse cenário até agora.

Draghi disse esperar que o PIB real da zona do euro cresça de forma "moderada, mas constante". De acordo com ele, porém, a recuperação deve ser comprometida pela demanda externa contida. Draghi pediu uma "intensificação substancial" das reformas estruturais na região da moeda comum e que o foco esteja em ações para aumentar a produtividade.

Projeções.  O presidente do BCE, Mario Draghi, disse que a instituição agora prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do bloco crescerá 1,7% este ano, 1,6% em 2017 e 1,6% em 2018. Em junho, o BCE projetava expansão econômica de 1,6% em 2016 e de 1,7% tanto em 2017 quanto em 2018.

Para a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor harmonizado, o BCE prevê taxas de 0,2% este ano, 1,2% em 2017 e 1,6% em 2018. Anteriormente, as previsões de inflação eram de 0,2%, 1,3% e 1,6%, respectivamente. A meta de inflação anual do BCE é de taxa ligeiramente inferior a 2%.

Mais cedo, o BCE decidiu manter sua política monetária inalterada. Sua principal taxa de juros, a de refinanciamento, permaneceu em 0% e a de depósitos, em -0,40%./ COM REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.