Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Banco Central indica novos cortes de juros em cenário com inflação sob controle

Ata da última reunião do Copom, quando a Selic foi reduzida de 6,5% para 6% ao ano, destaca

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2019 | 11h37

BRASÍLIA - O Banco Central voltou a indicar nesta terça-feira, 6, por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que "a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo (monetário)". Em outras palavras, a sinalização é de que cortes adicionais da Selic, a taxa básica de juros, devem ocorrer.

Na semana passada, o Copom reduziu a Selic de 6,50% para 6,00% ao ano. Com isso, o colegiado interrompeu uma sequência de dez reuniões consecutivas sem alterações na taxa básica.

Na ata, o BC também repetiu uma ideia contida no comunicado da semana passada: a de que "a evolução do cenário básico e, em especial, do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual".

Ao mesmo tempo, o BC enfatizou que, apesar da avaliação de que a taxa poderá cair ainda mais, "os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação". Na prática, o recado é de que o Copom tomará sua decisão sobre juros apenas no momento da próxima reunião, marcada para meados de setembro.

A importância das reformas 

O documento pontuou que o risco "preponderante" ainda é aquele ligado ao andamento das reformas no Congresso, embora o balanço de riscos para inflação tenha evoluído de maneira favorável. 

Segundo o BC, "uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária". Além disso, a instituição afirmou que o risco ligado às reformas "se intensifica no caso de reversão do cenário externo benigno para economias emergentes".

Para a instituição, "o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado". Ao mesmo tempo, porém, o BC afirmou que "a continuidade desse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia".

Entre as reformas pretendidas pelo governo, a principal é a da Previdência, cujo projeto passou em primeiro turno no plenário da Câmara dos Deputados e pode ser votado em segundo turno ainda nesta semana.

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