Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Sob novo comando, BC mantém Selic em 6,5%

Em decisão unânime, autoridade monetária manteve taxa básica pela 8ª reunião consecutiva; aumenta a aposta de cortes de juro ainda em 2019

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2019 | 18h06
Atualizado 20 de março de 2019 | 22h42

BRASÍLIA - Agora sob comando do economista Roberto Campos Neto, o Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 20, manter a Selic (taxa básica de juros) em 6,5% ao ano. Foi a oitava reunião consecutiva em que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa neste patamar, o menor da história. Apesar da decisão, o BC demonstrou preocupação maior com a fraqueza da atividade econômica no Brasil, o que, na visão de alguns economistas do mercado financeiro, eleva as chances de novos cortes da taxa básica no futuro.

Embora a Selic esteja no nível mais baixo da história, a taxa de juros real (descontada a inflação) do Brasil é a sétima maior do mundo. Ranking elaborado pela Infinity Asset Management e pelo site MoneYou indica que o juro real brasileiro está em 2,31% ao ano. Taxas reais mais elevadas são registradas em países como Argentina (10,19%), Turquia (6,91%) e México (4,18%), considerando o conjunto das 40 economias mais relevantes do planeta.

A decisão desta quarta era largamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. De um total de 43 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, todas projetavam manutenção da Selic em 6,5%. A dúvida era justamente se, com a economia ainda em marcha lenta, o BC poderá iniciar um novo processo de cortes da Selic ainda este ano. Oito instituições projetavam taxa inferior a 6,5% ao fim de 2019.

Trajetória

Ao comunicar sua decisão, o BC reforçou a possibilidade de cortes da taxa. Isso porque o Copom avaliou que “os indicadores recentes de atividade econômica apontam ritmo aquém do esperado”.

“O BC reconhece que a economia emitiu sinais de que está numa trajetória mais lenta do que se estimava, mas com a preocupação de mostrar que, apesar disso, não está na iminência de repensar a política monetária no curto prazo”, avaliou o estrategista-chefe da XP Investimentos, Daniel Cunha.

O economista-sênior do banco Haitong, Flávio Serrano, avaliou que a Selic deverá ser mantida no atual patamar por alguns meses, à espera da reforma da Previdência. Segundo ele, em função da atividade fraca, aumentaram as chances de corte da taxa básica. /COLABORARAM ANTONIO PEREZ E DENISE ABARCA

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