André Dusek/ Estadão
André Dusek/ Estadão

Banco Central não descarta novo corte de juros

Ata da reunião que definiu a Selic 6,75% ao ano explicitou mais claramente uma divergência entre os membros do Copom

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 08h46

BRASÍLIA - O tom da sinalização de que o ciclo de cortes na taxa Selic pode ser interrompido na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central - em março - não foi uma unanimidade entre os membros do colegiado, segundo revelou a ata do encontro da semana passada.

Na ocasião, o BC desacelerou o passo e cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, ao novo patamar recorde de 6,75% ao ano. Segundo o comunicado divulgado com a nova taxa, o patamar foi definido graças à melhor recuperação da atividade econômica no País.

Desta vez, a ata explicitou mais claramente uma divergência entre os membros do Copom. No parágrafo 23, em que aborda a comunicação sobre o próximo encontro do colegiado, marcado para março, o documento informa que "alguns membros manifestaram preferência por elevado grau de liberdade, favorecendo comunicação mais simétrica sobre o próximo passo, enquanto outros propuseram sinalizar mais fortemente a possível interrupção do ciclo de flexibilização monetária e manter liberdade de ação, mas em menor grau".

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Na prática, um grupo defendeu deixar a porta aberta para manter a Selic em 6,75% ao ano em março ou para cortar a taxa em mais 0,25 ponto porcentual. Este grupo advogava que a comunicação deveria dar o mesmo peso para cada uma dessas possibilidades ("comunicação mais simétrica").

Porém, outro grupo fez a defesa de uma sinalização mais forte sobre a tendência de manutenção da Selic em 6,75% em março, mantendo, em "menor grau", a liberdade para cortar mais 0,25 ponto.

A síntese das discussões foi a sinalização de que a interrupção do ciclo de cortes parece o mais adequado, embora essa visão possa ser alterada caso haja mudanças no cenário.

O tom da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da reunião de fevereiro veio mais inclinada a uma nova redução de 0,25 ponto porcentual no encontro do mês que vem, na avaliação do economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont. "Veio mais 'dovish', e eleva a probabilidade de ter um corte adicional em março", afirma.

Segundo Chermont, se após a leitura do comunicado do Copom, quando a Selic foi reduzida de 7,00% para 6,75% no dia 7 deste mês, a interpretação era de que o Banco Central (BC) havia interrompido o ciclo de recuo do juro, agora a possibilidade cresceu um pouco. "Há uma semana tinha convicção forte que de ia parar, confesso que agora estou dividido", diz, completando, contudo que, por enquanto, ainda mantém a expectativa de Selic em 6,75% este ano.

Para a economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada, Alessandra Ribeiro, somente uma surpresa para baixo forte na inflação subjacente ou uma improvável aprovação da reforma da Previdência neste mês poderiam provocar um novo corte do juro, para 6,5% no próximo encontro.

Alessandra avalia que o maior detalhamento sobre a avaliação do Banco Central em relação à volatilidade externa corroboram esse cenário de manutenção do juro em 6,75%.

"No comunicado, o BC só destacou que o cenário internacional, no geral, continuava favorável apesar da volatilidade recente. Mas na ata comentou sobre os novos eventos, como a inflação, as condições de trabalho afetando os salários e a possibilidade de ser um processo mais volátil. Além disso, colocou explicitamente uma piora no mercado internacional como fator para interrupção do ciclo de queda", explica./FABRÍCIO DE CASTRO, EDUARDO RODRIGUES, THAÍS BARCELLOS E MARIA REGINA SILVA 

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