Banco Central norte-americano mantém juro em até 0,25%

Intervalo entre zero e 0,25% já é o mais baixo da história; taxa deve permanecer neste patamar ao longo de 2009

Regina Cardeal, da Agência Estado,

28 de janeiro de 2009 | 17h25

O Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve decidiu nesta quarta-feira, 28, manter a meta da taxa dos Fed Funds na faixa de zero a 0,25% já um recorde de baixa. A votação foi de 8 contra 1. O Fed também manteve a taxa de redesconto, que cobra nos empréstimos diretos aos bancos, em 0,5% ao ano.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     O Fed sinalizou que está preparado para ir adiante com a ideia polêmica de comprar Treasuries de prazo mais longo, o que marcaria uma drástica escalada em seus esforços para descongelar os mercados de crédito.   As taxas provavelmente ficarão onde estão durante todo este ano e talvez também em 2010, segundo indicou o comunicado divulgado ao término do encontro do banco central norte-americano. "A economia enfraqueceu mais", disse o Fed, e as condições "devem garantir níveis excepcionalmente baixos" para as taxas dos Fed Funds por algum tempo.   Leia a íntegra do comunicado divulgado   "O Comitê Federal de mercado Aberto decidiu hoje manter a meta da taxa dos Federal Funds na faixa de 0% a 0,25%. O Comitê continua a antecipar que as condições econômicas provavelmente vão exigir níveis excepcionalmente baixos para a taxa dos Federal Funds por algum tempo.   Informações recebidas desde que o Comitê se reuniu em dezembro sugerem que a economia se enfraqueceu ainda mais. A produção industriais, as construções de moradias iniciadas e o emprego continuaram a declinar fortemente, à medida que consumidores e empresas reduziram seus gastos. Além disso, a demanda global parece ter se desacelerado significativamente. As condições em alguns mercados financeiros melhoraram, em parte refletindo os esforços governamentais para prover liquidez e fortalecer as instituições financeiras; apesar disso, as condições de crédito para os domicílios e as empresas permanecem extremamente apertadas. O Comitê antecipa que uma recuperação gradual na atividade econômica começará mais tarde neste ano, mas os riscos de baixa para essa perspectiva são significativos.   À luz dos declínios dos preços da energia e de outras commodities nos últimos meses e da perspectiva para uma folga econômica considerável, o Comitê espera que as pressões inflacionárias permanecerão fracas nos próximos trimestres. Além disso, o Comitê vê algum risco de que a inflação persista, por algum tempo, abaixo de taxas que fomentariam mais o crescimento econômico e a estabilidade dos preços no longo prazo.   O Federal Reserve vai empregar todas as ferramentas disponíveis para promover a retomada do crescimento econômico sustentável e para preservar a estabilidade dos preços O foco da política do Comitê é apoiar o funcionamento dos mercados financeiros e estimular a economia por meio de operações no mercado aberto e de outras medidas que provavelmente manterão o tamanho do balanço patrimonial do Federal Reserve num nível alto. O Federal Reserve continua a comprar grandes quantidades de dívida de agências e de títulos lastreados em hipotecas, de modo a prover apoio aos mercados de moradias e de hipotecas, e está pronto a expandir a quantidade de tais compras e a duração do programa de compras, à medida que as condições o exijam. O Comitê também está preparado para comprar títulos do Tesouro de prazos mais longos, caso a evolução das circunstâncias indique que tais transações sejam particularmente eficazes para melhorar as condições dos mercados privados de crédito. O federal Reserve vai implementar o programa de Empréstimo de Títulos Lastreados em Ativos Term Asset-Backed Securities Loan Facility, para facilitar a extensão do crédito ás famílias e às pequenas empresas. O Comitê vai continuar a monitorar cuidadosamente o tamanho e a composição do balanço patrimonial do Federal Reserve, à luz dos acontecimentos nos mercados financeiros, e a avaliar se expansões ou modificações nos programas de crédito serviriam para dar apoio ainda maior aos mercados de crédito e à atividade econômica e a ajudar a preservar a estabilidade dos preços.   Votaram a favor da decisão de política monetária: Ben S. Bernanke, chairman; William C. Dudley, vice-chairman; Elizabeth A. Duke; Charles L. Evans; Donald L. Kohn; Dennis P. Lockhart; Kevin M. Warsh; e Janet L. Yellen. Votou contra: Jeffrey M. Lacker, que preferia expandir a base monetária neste momento por meio de compras de títulos do Tesouro dos EUA, ao invés de fazê-lo por meio de programas direcionados de crédito."

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