Banco Central parece ter declarado sua independência, afirma Delfim

Segundo o ex-ministro, BC sinaliza que vai fazer sua parte e elevar os juros para diminuir as pressões do desequilíbrio fiscal sobre a inflação

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

30 de julho de 2013 | 12h04

SÃO PAULO - O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto afirmou na manhã desta terça-feira, 30, ter a impressão de que o Banco Central "declarou sua independência". Segundo ele, o presidente do BC, Alexandre Tombini, sinaliza que "se as finanças públicas não ajudarem, vai cumprir o seu papel", que é elevar os juros básicos para conter a demanda agregada e diminuir as pressões do desequilíbrio fiscal sobre a inflação. "Seguramente as últimas decisões do BC tem sido tomadas nessa direção", afirmou, referindo-se ao movimento de alta da Selic iniciado em abril pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Delfim destacou que "a inflação de 6,5% é desconfortável", pois no mundo apenas quatro ou cinco países tem um nível de preços superior a 5% ao ano. "Mas no Brasil ela não está fora do controle. Não há nenhuma catástrofe", ressaltou. O ex-ministro fez os comentários em palestra proferida em evento realizado na Amcham em São Paulo.

Fiscal. Delfim afirmou que o Brasil passa por "uma situação um pouco desconfortável" no lado fiscal, que inclusive leva o déficit nominal para um patamar ao redor de 2,5% do PIB. Para ele, "60% do PIB de dívida bruta é (uma fatia) elevada, mas não é nada trágico", ponderou.

Ele destacou, contudo, que "as manobras" contábeis feitas pelo governo nos últimos anos fez com que o indicador que mede a dívida líquida se torna-se praticamente inoperante.

Baixo crescimento. O ex-ministro afirmou que o baixo crescimento registrado pelo País recentemente "reflete falta absoluta de confiança entre o governo e setor privado", destacou. "Elas deveriam ser duas engrenagens que devem trabalhar juntas, mas o que ocorre hoje são duas 'licha' (sic)", destacou.

Ele citou o exemplo da redução das tarifas de energia elétrica, que não rompeu nenhum contrato, mas a comunicação do governo com o setor privado sobre a questão foi ineficiente e provocou um mal-estar que gerou aversão das empresas do setor. E esse fato acabou se disseminando por toda a sociedade e contaminou a percepção de boa parte das companhias particulares no País.

"É preciso sentar e dialogar. Todo o governo intervém, porque afinal ele é governo. Mas a questão é atuar para que o setor privado possa puxar o desenvolvimento da economia", destacou Delfim Netto.

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