Antonio Cruz|Agência Brasil
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Banco Central prevê 'importante desinflação' em 2016

Para este ano, o presidente do BC, Alexandre Tombini, já admitiu que terá de escrever carta aberta ao ministro Joaquim Levy devido ao estouro da meta deste ano

Célia Froufe e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2015 | 11h43

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a insistir na tese de que haverá uma desinflação importante no ano que vem, o que ajudará o trabalho da autoridade monetária. Mais do que isso, segundo Tombini, essa desinflação será positiva para a economia brasileira à medida que haverá maior proteção da renda dos trabalhadores e um alargamento do horizonte de planejamento, que será fundamental para as empresas e as famílias. "Estamos num momento de aperto da política monetária", disse durante café da manhã com jornalistas na sede do BC, em Brasília.

Para 2016, Tombini garantiu que o BC continuará atuando de forma autônoma para garantir a convergência da inflação para o centro da meta em 2017. No ano que vem, o objetivo é que a inflação fique dentro da margem de tolerância permitida pelo regime de metas de inflação.

Tombini lembrou que, até outubro, o horizonte para a convergência da inflação para a meta trabalhada pelo BC era 2016. Mas que depois disso passou a dizer que a convergência pra 4,5% passou a ser 2017. "É isso o que vamos perseguir", afirmou. Para o ano que vem, o presidente disse que o BC terá de usar as regras de tolerância estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), ou seja usar a banda de 2 pontos porcentuais para entregar a inflação. "Vamos perseguir convergência para 4,5% em 2017 e cumprir objetivo do regime em 2016", resumiu.

Carta. Tombini admitiu, pela primeira vez oficialmente, que terá de escrever a carta aberta ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por deixar a inflação superar o teto de 6,5% este ano, descumprindo, assim, as regras do sistema de meta de inflação. Essa carta é um documento obrigatório que precisa ser redigido sempre que a inflação estourar o teto da meta. A projeção do mercado financeiro é de que o índice feche em 10,61% em 2015.

Na carta aberta, o BC precisará explicar as razões de a meta não ter sido atingida, as medidas que serão tomadas e em que prazo isso se dará. "Já adiantamos que o grande ajuste de preços relativos fez isso, e não há política monetária que compense choques dessa magnitude", afirmou. As razões, portanto, que estarão na carta, de acordo com o presidente, estão relacionadas com esses choques (em especial preços administrados e câmbio). 

Política. Tombini iniciou seu discurso de final de ano lembrando que o fim de 2015 chegou com complexidades na área política. "Não é minha praia, mas certamente complicação política impactou ajustes macroeconômicos", disse. Segundo ele, o Brasil passa por três ajustes: fiscal, monetário e do setor externo. Na avaliação do presidente, o País tem tido progresso rápido no ajuste externo. 

Citando números recentes da economia, lembrou que a projeção do déficit em conta corrente do Banco Central para este ano está US$ 40 bilhões menor do que o registrado em 2014 e que isso reflete o atual estado da economia e a mudança de preços relativos, que tem aumentado a competitividade dos produtos brasileiros. Ele também citou a redução do Custo Unitário do Trabalho medido em dólar. Tombini voltou a dizer que pela primeira vez em 10 anos o setor externo apresentará contribuição líquida positiva para o Produto Interno Bruto (PIB).

Projeções. O presidente do BC disse que apresentará as projeções de inflação atualizadas pela instituição no próximo dia 23, quando será apresentado o Relatório Trimestral de Inflação. Ele ressaltou também que houve avanços importantes na área monetária. Salientou que além da alta de 18% dos preços administrados este ano, a inflação também incorporou a alta superior a 30% do câmbio. "Tivemos uma sequência de choques de custos e o choque de preços relativos fez a inflação chegar onde está", disse, salientando que esses itens ajudaram as previsões da Focus a chegarem a 10,61% esta semana. 

Apesar disso, conforme Tombini, as projeções de inflação para o médio e longo prazos continuam bem comportadas. "As expectativas já estiveram melhores, mas seguem bem comportadas", disse, lembrando que 2016 ainda sofrerá efeitos do aumento da inflação deste ano. "Se examinarmos as projeções do mercado no dia 2 de janeiro para 2015 se esperava uma taxa de 6,56% e de 5,70% para 2016. O mercado previa uma desinflação de 0,86 ponto porcentual, é algo considerável", registrou. 

Continuando a comparação, o presidente disse que a última rodada da Focus, de 11 de dezembro, mostra que a previsão do mercado para este ano é de um IPCA de 10,61%, enquanto a expectativa para a inflação de 2016 está em 6,80%, o que significa uma desinflação de 3,81 pp. "Esta revisão contempla uma grande desinflação e diz um pouco uma lógica de como o BC explica esse fenômeno da inflação nesses dois anos", disse.

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