André Dusek/Estadão
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Banco Central revisa projeção para PIB de 2020, melhora cenário e passa a prever recuo de 4,4%

Antes, a queda esperada pelo BC era de 5%; dado consta em relatório divulgado nesta quinta-feira

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 08h31

BRASÍLIA - Em meio a reavaliações dos impactos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia brasileira, o Banco Central atualizou nesta quinta-feira, 17, sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. A expectativa para a economia este ano passou de queda de 5,0% para retração de 4,4%. A nova estimativa consta no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta manhã. 

Entre os componentes do PIB para 2020, o BC alterou de +1,3% para +2,3% a projeção para a agropecuária. No caso da indústria, a estimativa passou de -4,7% para -3,6% e, para o setor de serviços, de -5,2% para -4,8%. Do lado da demanda, o BC alterou a estimativa do consumo das famílias de -4,6% para -6,0%. No caso do consumo do governo, o porcentual projetado foi de -4,2% para -4,8%.

O documento desta quinta indica ainda que a projeção de 2020 para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento produtivo na economia - foi de -6,6% para -4,4%. Todas as estimativas anteriores constavam do RTI divulgado em setembro. 

Recuperação desigual

O Banco Central reafirmou no documento que os indicadores recentes sugerem a continuidade, no Brasil, da recuperação desigual entre os setores econômicos. Conforme o BC, isso era esperado. “Contudo, prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais”, afirmou o BC. Estas ideias já haviam sido expressas em documentos recentes do BC, como a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada na terça-feira.

Ao avaliar o nível de preços no Brasil, o BC reafirmou que “diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se em níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária”. 

Avanço da inflação é temporário

O Banco Central repetiu que os choques inflacionários atuais são temporários. Ao mesmo tempo, a instituição projetou inflação ainda elevada em dezembro.

“As últimas leituras de inflação foram acima do esperado e, em dezembro, apesar do arrefecimento previsto para os preços de alimentos, a inflação ainda deve se mostrar elevada, com coleta extraordinária de preços de mensalidades escolares e transição para o mais elevado patamar de bandeira tarifária de energia elétrica”, registrou o BC. “Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue monitorando sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente.”

Ambiente externo 

O Banco Central também ressaltou que, “no exterior, a ressurgência da pandemia em algumas das principais economias tem revertido os ganhos na mobilidade e deverá afetar a atividade econômica no curto prazo”. Esta avaliação já constou na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira.

“No entanto, os resultados promissores nos testes das vacinas contra a Covid-19 tendem a trazer melhora da confiança e normalização da atividade no médio prazo”, pontuou o BC. “A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração, permitindo um ambiente favorável para economias emergentes.”

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