André Dusek/Estadão - 9/1/2018
André Dusek/Estadão - 9/1/2018

Banco Central tem compromisso com as metas da inflação; leia análise

No mercado, a crença é que a autoridade monetária fará o que for necessário para controlar a situação

Luiz Fernando Figueiredo*, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 04h00

O Banco Central tem passado a mensagem de que os choques de preço continuam muito fortes, tanto no Brasil, quanto no restante do mundo. Diante disso, o principal desafio é convergir o avanço dos preços para a meta de inflação do ano que vem e de 2023. No mercado, a crença é que a autoridade monetária fará o que for necessário para controlar a situação.

Em suas comunicações recentes, o órgão reiterou que está satisfeito com o ritmo de alta de 1 ponto porcentual por reunião e considera suficiente para atingir seus objetivos. O BC trabalha com análise de dados, e a avaliação atual é de que essa estratégia será capaz de trazer a inflação para o centro da meta nos próximos anos. Ao mesmo tempo, ele indica que, caso isso não seja suficiente, continuará atuando para solucionar a questão.

Por enquanto, ainda há pressão inflacionária e é preciso que isso arrefeça para que ela volte ao padrão e caminhe para a meta, tanto para 2022 quanto 2023. Até lá, a cada reunião é provável que o Banco Central aumente e avalie, de tempos em tempos, a necessidade desses ajustes conforme surgem novas informações.

É importante ressaltar que o BC não está deixando a peteca cair, não segue um pensamento de subir a Selic apenas até determinado nível. Pelo contrário. Há indicações de que a equipe econômica fará aquilo que for preciso para controlar a inflação. Hoje, uma Selic de 8,5% ao ano parece ser ideal, mas caso não seja, aumentarão mais.

A autonomia do Banco Central é importante neste contexto. Ele já era autônomo na prática antes mesmo da formalização, e isso o permite fazer o que for necessário para atingir as metas de inflação, sem levar em consideração o contexto político e eleitoral. Agora, com os efeitos da lei que sancionou esta autonomia, o presidente do país perde inclusive o poder de demitir membros da equipe da autoridade.

Assim, chegamos à conclusão de que a postura do órgão não tem a ver com o ano eleitoral que se aproxima. O processo de aumento de juros depende mesmo é da pressão inflacionária e dos choques vistos nos últimos meses. Caso eles persistam, isso contamina um pouco o cenário para o início do ano que vem. A princípio, a estratégia atual deve ser suficiente, a não ser que tenhamos piora na situação fiscal para o ano que vem. 

*CEO DA MAUÁ CAPITAL

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