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Banco Central vê Brasil crescendo menos neste ano e piora projeção de inflação em 2014 e 2015

Para 2014, o BC prevê o IPCA de 6,4% e para 2015, de 6,1%; PIB deve avançar somente 0,2% este ano

Adriana Fernandes, Célia Froufe e Renata Veríssimo, O Estado de S. Paulo

23 Dezembro 2014 | 08h51

O Banco Central reduziu sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 para 0,2% no Relatório de Inflação divulgado nesta terça-feira, 22. No documento anterior, a projeção era de alta de 0,7%. Além da projeção mais pessimista para o PIB, o BC passou a ver a inflação mais elevada neste e no próximo ano, estimando o índice mais próximo do teto da meta oficial, de 6,5%.

Segundo o relatório, a inflação no Brasil vai atingir 6,4% em 2014 - último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. A nova estimativa para o cenário de referência traçado pelo BC é maior do que os 6,3% projetados em setembro. 

Se confirmada a projeção, nos quatro anos do governo Dilma o IPCA se manteve em patamares elevados, mais próximos do teto da meta. Em 2011, a inflação fechou em 6,50%. Em 2012, o IPCA recuou para 5,84% e voltou a subir para 5,91% no ano passado. 

No cenário de mercado, que leva em consideração a trajetória para a taxa Selic e o câmbio desenhada pelos analistas do mercado financeiro, o IPCA vai fechar o ano também em 6,4%. A projeção anterior era de 6,3%. 

Inflação em 2015. Apesar da alta dos juros, a inflação vai continuar pressionada em 2015. O Banco Central projeta que o IPCA  o índice oficial de inflação vai fechar em 6,1% no ano que vem. Nesta segunda-feira, 21, o mercado passou a ver pela primeira vez a inflação acima do teto da meta em 2015

O valor é maior do que os 5,8% projetados no final de setembro, antes do Comitê de Politica Monetária (Copom) retomar o processo de alta da taxa Selic em doses mais fortes, depois das eleições presidenciais. A projeção leva em conta o cenário de referência que serve de base para as decisões do Copom. De acordo com novas projeções, divulgadas no Relatório Trimestral de Inflação, o IPCA vai fechar 2016 em 5%. 

Para o cenário de mercado, o IPCA fechará 2015 em 6%. A estimativa anterior para o cenário de mercado era de 6,1%. Para 2016, o BC projeta que o IPCA ficará em 4,9% no cenário de mercado.

Pelos dados divulgados nesta terça-feira, aumentou a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2015. No cenário de referência, as chances aumentaram de 31% para 37%. O BC incorporou no relatório a previsão para 2016. Segundo o documento, a possibilidade estimada de a inflação ultrapassar o limite superior da banda de tolerância em 2016 situa-se em torno de 15%. 

O documento retirou a probabilidade de estouro do teto da meta em 2014. No cenário de referência, no último relatório de setembro, as chances de o IPCA ultrapassar o limite era de 37%. No cenário de mercado, a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2015 recuou de 39% para 37% e, em 2016, ficou em 12%. 

Dólar. O Banco Central usou uma cotação para o dólar de R$ 2,55. A taxa Selic utilizada foi de 11,75% ao ano. O valor é o mesmo da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião do Colegiado, em 3 de dezembro, a cotação do dólar fechou em R$ 2,5550. No relatório de inflação anterior, de setembro, a cotação utilizada foi de R$ 2,25 e taxa de juros de 11%.

A cotação de R$ 2,55, incluída no Relatório Trimestral de Inflação, tem como data de corte 5 de dezembro. O valor é diferente do fechamento do dia de corte. Em 5 de dezembro, o dólar à vista no balcão fechou em R$ 2,596. 

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