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Banco Central vê inflação de 10,8% em 2015 e de 6,2% em 2016

Autoridade monetária elevou a projeção para IPCA nos dois anos; também subiu a chance de estouro do teto da meta em 2016

Célia Froufe, Adriana Fernandes e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2015 | 09h15

BRASÍLIA - O Banco Central ajustou suas projeções para a inflação deste e do próximo ano, além de ter apresentado a primeira estimativa para 2017. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o IPCA de 2015 ficará em 10,8%, e não mais em 9,5% como constava do documento anterior, segundo o cenário de referência. Em 2016, a inflação deve fechar em 6,2% neste mesmo cenário.

Além de elevar a projeção para a inflação, o BC acredita ser maior a probabilidade de o IPCA estourar o teto da meta em 2016 de 6,5%. A chande de estouro do limite subiu de 20% para 41% no cenário de referência.

O BC informou que conta com um processo de grande desinflação no ano que vem. Para o primeiro trimestre de 2016, o IPCA deve ter alta de 9,2%; no segundo, a taxa projetada é de 8,1% e, no terceiro, de 7,5%%. Assim, no fechamento do ano, a inflação estará em 6,2% e não mais de 5,3% como projetava antes. 

No cenário de mercado, a taxa para 2015 passou de 9,5% para 10,8%. Em 2016, a expectativa do BC é que o IPCA fique em 9,2% ao final do primeiro trimestre de 2016, passe para 8,2% no segundo e atinja 7,6% no terceiro, encerrando 2016 em 6,3% - no RTI anterior, a estimativa de fim de ano era de 5,4%.

No acumulado em 12 meses até novembro, a inflação está em 10,48%. Por descumprir a tarefa de entregar a inflação dentro da meta este ano, a instituição terá de escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para explicar o que levou ao descumprimento e também apresentar - com prazos - a estratégia para reverter a situação.

Já para 2017, a expectativa é que a inflação dê trégua. O IPCA encerrará 2017 em 4,8% pelo cenário de referência e em 4,9% pelo de mercado. É bom lembrar que a margem de tolerância para desvios de rota nesse ano será menor de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo - até 2016, a banda é de 2 pp. Essa primeira referência sobre o que projeta o BC para o IPCA de aqui a dois anos é que calibrará a confiança dos agentes econômicos nos discursos e na probabilidade de entrega dessa tarefa pela instituição.

Preços administrados. Em café da manhã com jornalistas na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, já adiantou que os preços administrados e a alta de mais de 30% do câmbio este ano serão apontados como os vilões da inflação. A estratégia do BC será reduzir a taxa para abaixo do teto da meta no ano que vem e levá-la próximo a 4,5% em 2017. 

No relatório desta quarta-feira, o BC revisou de 15,4% para 18,2% a elevação dos preços administrados este ano. Para 2016, a taxa prevista pela instituição mudou de 5,7% para 5,9%. Pela primeira vez, o BC apresentou sua estimativa para esse conjunto de itens em 2017, quando deve ficar em 5%. 

Para realizar as revisões para os preços administrados deste ano, o BC levou em consideração as hipóteses, para o acumulado de 2015, de variação de 20,7% nos preços da gasolina ante 17,6% da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada em 3 de dezembro. No caso da energia elétrica, essa projeção considera hipóteses, também para o acumulado de 2015, um aumento de 51,6% ante 52,3% da ata passada. O Banco Central não divulgou as hipóteses do preço do botijão de gás. 

Dólar. A diretoria do Banco Central explicou que as estimativas apresentadas no relatório levaram em conta um câmbio de R$ 3,90 no cenário de referência. O documento teve como data de corte o dia 18 de dezembro deste ano. A cotação do câmbio é a mesma usada na edição anterior. 

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