André Dusek/Estadão
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BC vê inflação menor, mas deixa ritmo de corte nos juros incerto

Órgão revisou previsão para o IPCA de 4% para 3,8% ao fim do ano, porém citou 'incerteza elevada' sobre avanço das reformas; BC também suavizou trecho que dava redução como certa em outros documentos

Fabrício de Castro, Eduardo Rodrigues e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2017 | 08h35

BRASÍLIA - O Banco Central reduziu as projeções para a inflação deste e do próximo ano. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira, 22, o cenário de mercado prevê IPCA de 3,8% em 2017. A mais recente ata do Comitê de Política Monetária citava previsão de alta de 4,0%. No relatório de inflação divulgado em março, o BC também esperava alta do índice oficial de inflação de 4,0% pelo cenário de mercado.

Para 2018, o cenário de mercado indica que o IPCA ficará em 4,5%, e não mais em 4,6% como constava na mais recente ata do Copom. No RTI de março, a projeção era justamente de 4,5%, ou seja, no centro da meta. O cenário de mercado utiliza como parâmetros as previsões dos analistas, contidas no Relatório de Mercado Focus, para a taxa de câmbio e os juros no horizonte da previsão. 

O BC informou também, no RTI, que a projeção para o IPCA nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2019 está em 4,3% no cenário de mercado. No relatório, o Banco Central ainda manteve a projeção para o PIB de 2017 em 0,5%. 

Taxa de juros. O Banco Central repetiu a avaliação da última ata da reunião do Copom de que "uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado naquela ocasião deveria se mostrar adequada em sua próxima reunião, em julho". Na ocasião, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 1 ponto porcentual

Apesar de repetir a avaliação, o documento tenta relativizar o quadro com a lembrança de que "o ritmo de flexibilização monetária continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação".

O diretor de política econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, disse, em entrevista, que a instituição comunica até o limite do que parece adequado comunicar. "Algumas coisas são incertezas ou coisas sobre as quais você não tem certeza, você não deve tentar comunicar mais que uma certa zona de conforto porque acaba sendo contraproducente", disse.

Sobre o tempo verbal usado no documento, o diretor disse que a "linguagem que já está no relatório permite inferir se mudou ou não a possibilidade que tínhamos no Copom de maio". Viana explicou ainda que nenhum fator domina em relação aos demais na avaliação de riscos à frente. O diretor comentou que há diversos fatores que influenciam ao mesmo tempo e nem sempre há um fator específico que domina a avaliação.

RELEMBRE: BC admite erro em relatório de inflação e divulga projeções ainda menores para o índice

A despeito do aumento das incertezas, o Banco Central reafirmou a avaliação de que estatísticas reforçam o entendimento de "estabilização e perspectiva de retomada gradual da atividade econômica". No Relatório Trimestral de Inflação, os diretores do BC reconhecem, porém, que a manutenção das incertezas sobre reformas pode prejudicar a atividade.

"A trajetória recente dos principais indicadores econômicos corrobora o cenário de estabilização e perspectiva de retomada gradual da atividade econômica. Entretanto, a manutenção, por tempo prolongado, de níveis de incerteza elevados sobre a evolução do processo de reformas e ajustes na economia pode ter impacto negativo sobre a atividade", citam os diretores do BC no documento divulgado com atraso nesta manhã.

Mesmo com a avaliação relativamente positiva sobre as perspectivas da economia, o BC avalia que a "economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego".

Sobre o cenário externo, o Relatório de Inflação diz que essa influência "tem se mostrado favorável". A avaliação é feita com base na percepção de que "a atividade econômica global mais forte tem mitigado os efeitos sobre a economia brasileira de possíveis mudanças de política econômica nos países centrais".

PIB. O Banco Central manteve a previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) terá crescimento de 0,5% em 2017. O documento trouxe piora para vários indicadores, como o consumo das famílias, do governo e dos investimentos, mas houve aumento da expectativa de crescimento do setor agropecuário e da indústria - o que anulou o efeito negativo das outras componentes do PIB.

Entre as componentes do PIB para este ano, o BC melhorou expressivamente a expectativa para o setor agropecuário e a estimativa para o PIB do campo melhorou de +6,4% para +9,6%. A expectativa para a indústria também melhorou e passou -0,1% para +0,3%. Para o segmento de serviços, ao contrário, a expectativa passou de +0,1% para -0,1%. 

Pela ótica da demanda, o BC pirou a expectativa do consumo das famílias em 2017 de +0,5%  para zero. O consumo do governo também foi piorado e a previsão passou de +0,2% para -0,6%. O relatório indica que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento na economia - deverá ter recuo ainda mais intenso, de -0,6%. No RTI de março, a expectativa era de -0,3%. 

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