Banco chinês e instituições brasileiras avaliam fazer proposta pelo BicBanco

O BicBanco pode ser vendido e entre os interessados há instituições brasileiras e também um banco chinês, de acordo com fontes ouvidas pelo 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado'. O China Construction Bank (CCB) é apontado como um dos interessados. No ano passado, a instituição chegou perto de adquirir a unidade brasileira do alemão West LB, que acabou sendo comprado pelo japonês Mizuho.

ALINE BRONZATI , CYNTHIA DECLOEDT, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h08

Fontes citam ainda como possíveis candidatos o BTG Pactual, o Bradesco e o Itaú Unibanco. O BicBanco teria aberto seus números para alguns interessados e, de acordo com executivos, é natural que várias instituições avaliem os dados, mesmo que não haja a intenção de realizar a aquisição.

Procurado, o BicBanco disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta rumores. BTG Pactual, Bradesco e Itaú Unibanco também não se manifestaram.

Em maio último, o Broadcast chegou a noticiar uma possível venda da instituição. No entanto, na ocasião, o diretor de relações com investidores do BicBanco, Milto Bardini, respondeu o seguinte: "O banco nunca recusa conversas para melhoria de sua franquia e creio que os acionistas estão abertos a escutar o que seja proposto nesse sentido".

Os ajustes feitos no BicBanco resultaram na redução de mais de 160 funcionários no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, para 772 colaboradores. Além disso, cinco pontos de atendimento foram fechados e a rede da instituição passou a contar com 38 unidades no Brasil e uma agência no exterior (Grand Cayman).

Paralelo a este processo, o banco informou, no início de setembro, por meio de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que foi multado pelo Banco Central, em junho do ano passado, em R$ 200 mil. No entendimento do órgão regulador, a gestão da carteira de crédito da instituição estaria em desacordo com as práticas de boa gestão e segurança operacional, além do fato de o banco não ter implementado medidas apropriadas para garantir o bom funcionamento dos seus sistemas de controles internos. O BC também multou em valores que vão de R$ 25 mil a R$ 200 mil alguns dos administradores do BicBanco na ocasião.

Bônus. No início de julho, os bônus do banco operaram sob forte pressão após a agência de classificação de risco Moody's colocar em revisão para possível rebaixamento os ratings e, nos últimos dias, com rumores de que o Banco Central estaria conduzindo uma auditoria na instituição.

Em 8 de agosto, a instituição anunciou a recompra de parte dos bônus subordinados com vencimento em 2020 e conseguiu retirar esses títulos das mínimas em que vinham operando, apesar de já estarem recomprando os bônus seniores, com vencimento em 2015.

No fim de junho, o índice de Basileia do BicBanco estava em 18,5%, acima dos 11% exigidos pelo Banco Central. Esse índice mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer o seu capital. Já a carteira de crédito expandida, que inclui além das operações de crédito, avais e fianças, alcançou R$ 13,6 bilhões. Os ativos totais somavam R$ 16,8 bilhões e o patrimônio líquido ficou em R$ 1,9 bilhão.

As ações preferenciais do BicBanco fecharam o pregão de ontem com valorização de 2,76%, cotadas em R$ 4,46. O bônus com vencimento em 2020 subiu de 85% do valor de face para 88% do valor de face com os boatos de sua venda.

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