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Banco da Coreia acumula perdas de R$ 360 mi no País

KDB do Brasil aplicou em três fundos de crédito, alguns com notas frias e suspeitas de fraude; inadimplência é superior a 70%

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2014 | 02h03

Há quase dez anos no Brasil, o banco de desenvolvimento da Coreia do Sul (KDB, na sigla em inglês), enfrenta problemas no País. O KDB do Brasil acumula um prejuízo de R$ 359 milhões até janeiro de 2014, segundo dados do Banco Central. Além disso, cerca de R$ 500 milhões em investimentos em três fundos estão desaparecendo por causa de calotes, com casos que envolvem até notas frias de empresas acusadas de esquemas de corrupção.

A operação brasileira é muito pequena se levado em consideração o tamanho do KDB na Coreia, onde tem R$ 300 bilhões em ativos. O banco coreano é tão grande que chegou a ser um dos candidatos a comprar o Lehman Brothers, que desencadeou a crise financeira global de 2008. Mesmo no Brasil, o banco tem indicadores sólidos. Seu índice de Basileia é de 30%, o que significa, que a cada R$ 100 que empresta, tem R$ 30 de capital, média muito superior à exigida, o que significa "elevada capacidade de absorção de perdas", segundo o Banco Central.

Apesar de ser um banco de desenvolvimento, o KDB no Brasil pouco emprestou para empresas coreanas, segundo seus balanços. Até 2012, suas principais carteiras de investimentos foram direcionadas a precatórios (títulos de dívidas de governos) e fundos de direitos de crédito, que basicamente compram duplicatas, cobrando uma taxa de juros. Como são considerados investimentos com risco de crédito, os retornos financeiros são maiores do que os de aplicações tradicionais. Os fundos escolhidos pelo KDB, no entanto, começaram a mostrar problemas em 2013.

O investimento mais problemático está no fundo ligado à factoring Trendbank, que captou R$ 400 milhões de fundos de pensão e do KDB em 2010, oferecendo retornos de 20% acima da taxa básica de juros, por dez anos.

O KDB se tornou o principal cotista deste fundo, com R$ 126 milhões. Em março, segundo a corretora Planner, que administra o fundo, a inadimplência chegou a 85%. E parte disso pode nem ser recuperada, pois o fundo possui notas frias em seu portfólio e enfrenta uma briga na Justiça com o banqueiro Adolpho Mello, dono da Trendbank (leia texto acima).

Empréstimos. Além de aplicar no fundo da Trendbank, o KDB emprestou quase R$ 25 milhões diretamente para a factoring. Esta duplicata está hoje na carteira de R$ 320 milhões do fundo Agro Brasil e Precatórios, onde o KDB é cotista exclusivo e amarga uma inadimplência de R$ 220 milhões.

O fundo é administrado pela Oliveira Trust há um ano. O responsável pela administração, José Alexandre de Freitas, diz que o Agro Brasil reúne também a carteira do fundo Madri. No fundo Madri, as aplicações eram feitas em Cédulas de Produtor Rural (CPR), principalmente de destilarias e usinas de açúcar e álcool. Com a crise do setor, boa parte delas quebrou.

Não bastassem os problemas que o KDB tem com os fundos em que aplicou, logo na página de abertura de seu site, o banco revela que seu nome está sendo usado por fraudadores que prometem crédito barato e fácil para financiamento imobiliário e de automóveis. O candidato precisa fazer um depósito prévio a título de fiança ou seguro-fiança e perde o dinheiro. O caso é investigado pela polícia.

Em dezembro, um dos diretores do KDB chegou a dizer em uma reportagem que em função das dificuldades que teve ao emprestar para médias empresas o banco iria se voltar mais para a comunidade coreana. Os executivos, entretanto, procurados na semana passada, não quiseram dar entrevista.

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