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Banco diz que medidas estão aquém do esperado

O pacote de medidas anunciado na quinta-feira pelo governo e reforçado hoje pelo anúncio da ampliação do depósito compulsório de 10% para 15% ficou aquém do que se esperava, avalia o economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi. Para ele, a direção das medidas é correta mas vem numa dosagem muito pequena. "Tanto que o mercado não está respondendo positivamente ao pacote", disse Rabi, citando a queda na pontuação do Ibovespa e a elevação da cotação do dólar. "O Banco Central está fazendo tudo de forma incompleta. A elevação do superávit primário deveria ser de, pelo menos, 4% do PIB e o compulsório deveria ter sido elevado para 20%", diz Rabi.O superávit primário foi elevado de 3,5% para 3,75% e o compulsório sobre depósito a prazo de 10% para 15%.Quanto à elevação do superávit primário, diz o chefe dos economistas do BicBanco, é preciso reconhecer que os Estados e municípios já estão com superávit compatível com uma meta consolidada de 3,75% do PIB. "Em outras palavras, esta meta será atingida com muito pouco esforço fiscal adicional por parte do governo federal. Se houvesse a clara intenção de sinalizar um compromisso forte com o ajuste fiscal, a meta deveria ser elevada para, pelo menos 4% do PIB", diz.Para ele, ou se trata de uma questão de timing e outras medidas serão anunciadas mais para frente, o que para ele é um risco, ou no entendimento do governo a situação é menos grave do que o mercado acredita ser. "Mas é bom lembrar que, mesmo que o pacote tivesse sido mais substancial, há uma parcela importante da turbulência que, mesmo assim, não desapareceria: aquela ligada às dúvidas quanto à política econômica do próximo governo", diz Rabi.

Agencia Estado,

14 de junho de 2002 | 15h56

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