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Banco do Brasil avalia parceria para criar corretora

Banco estatal está negociando com instituições estrangeiras, entre elas UBS, Citibank e Goldman Sachs; objetivo é reforçar área de investimentos

Aline Bronzati , O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2018 | 06h00

O Banco do Brasil negocia uma eventual joint venture com bancos estrangeiros, entre eles UBS, Citibank e Goldman Sachs, para criar uma corretora de investimentos, segundo fontes ouvidas pelo ‘Estadão / Broadcast’. A instituição vem estudando uma forma de reforçar a área de mercado de capitais e também avalia separar o banco de investimentos do restante da operação.

A negociação com o UBS foi revelada ontem pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Conforme apurou o Estadão/ Broadcast com fontes da alta cúpula do BB, nenhum movimento será feito antes do novo governo assumir em janeiro.

A parceria com um banco estrangeiro na área de investimentos ajudaria o BB a reforçar posição no setor. A instituição nunca teve uma corretora de valores mobiliários. O banco atende seus clientes pessoas físicas por meio de um sistema de home broker (plataforma online de negociação) e via aplicativo móvel (app). Além disso, com um sócio internacional, o BB também poderia reforçar a oferta de fundos estrangeiros.

Essas conversas seguem em paralelo com o projeto do banco de segregar seu braço de banco de investimento. Hoje, essa unidade integra a área de mercado de captais. Os concorrentes já mantêm operações independentes: o Bradesco tem o BBI e o Itaú Unibanco, o BBA. 

Essa iniciativa esbarra, no entanto, em questões burocráticas, como a possibilidade de usar uma estrutura de cargos e salários diferente da adotada no BB, o que exigiria aval do Tribunal de Contas da União (TCU). Isso pode justificar inclusive, segundo um dos executivos ouvidos, o avanço da segunda opção, que é criar uma corretora em sociedade com um banco estrangeiro.

A ideia da atual gestão do Banco do Brasil era reforçar a estrutura de mercado de capitais do banco até dezembro, antes do próximo governo assumir, o que poderia levar a uma mudança no time da instituição, já que o presidente da República é responsável por nomear a alta cúpula de empresas estatais. 

Fontes consideram, entretanto, difícil para o BB emplacar qualquer uma das mudanças até dezembro não só por conta do prazo curto, mas também pela falta de capital político para tocar o projeto em pleno período eleitoral.

A missão de reforçar a área de mercado de capitais do BB está nas mãos do atual vice-presidente de Negócios de Atacado da instituição, Walter Malieni, que chegou ao cargo há pouco mais de três meses, no recente rodízio que o banco fez em sua diretoria. 

O BB é um dos líderes em emissões de dívida corporativa local e o terceiro no ranking de distribuição de opções de investimento no mercado. Reforçar o banco de investimentos seria um contra-ataque em meio ao aumento da concorrência neste mercado, liderada pela XP Investimentos. 

Procurado, o BB não comentou o assunto. UBS, Goldman e Citi também não se manifestaram.

Negociações. O Banco do Brasil chegou a contratar uma consultoria para ajudar a deslanchar o plano de ter uma operação mais parruda na área de mercado de capitais. A possibilidade de a instituição separar o seu banco de investimento foi levantada quando o atual presidente do BB, Paulo Caffarelli, respondia pela vice-presidência de Atacado do banco. Na ocasião, porém, o projeto não teve apelo na alta cúpula e foi engavetado após o executivo deixar a área.

Em 2009, uma joint venture entre BB e UBS quase foi sacramentada. Quem conduziu a negociação, na época, foi o ex-diretor do Banco Central Aldo Mendes, quando ocupava a diretoria de Mercado de Capitais do banco.

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