Banco do Brasil deve comprar financeiras de veículos, diz Lula

Para presidente, indústria automobilística é um dos carros-chefes da economia do País

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 Outubro 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou ontem que o Banco do Brasil deverá entrar de forma significativa no financiamento de carros para pessoas físicas. Em entrevista após almoço com o rei da Jordânia, Abdullah 2º, no Itamaraty, ele manifestou preocupação com queda nas vendas do setor automotivo. "A indústria automobilística tem uma cadeia extraordinária, e não queremos que deixe de ser um dos carros-chefes da economia brasileira."Na conversa com os jornalistas, ele enfatizou que a decisão do banco em expandir os financiamentos de carros, inclusive com a compra de financiadoras, foi permitida pela Medida Provisória nº 443, publicada anteontem no Diário Oficial. "Não é investir no setor automotivo", disse Lula. "A decisão está contida na MP que foi assinada e facilita tanto o Banco do Brasil quanto a Caixa Econômica Federal, que podem adquirir bancos", completou. "O Banco do Brasil não tem expertise para fazer financiamento de automóvel e teria de ter parceria com um banco de investimentos que tivesse." Assessores do governo ressaltaram que a diretoria do Banco do Brasil informou ao presidente que examina a hipótese de aumentar a participação no setor de financiamento de automóveis. Na entrevista, Lula disse não ter detalhes dessa operação do banco, que poderia incluir a compra de financiadoras. Ele ressaltou que a MP 443, que permite ao Banco do Brasil e à Caixa comprar outras instituições financeiras, terá efeitos "a longo prazo". "Eu sei que tem gente que às vezes pergunta: ?Mas como, o presidente anunciou MP ontem e não sofreu nenhum efeito?. Se eu pudesse fazer uma MP e resolver o problema do mundo no dia seguinte, certamente eu estaria contratado para resolver o problema da crise mundial", completou. "A MP tem o cuidado de ser muito cautelosa, pois permite que a gente vá resolvendo os problemas à medida que eles estejam acontecendo, antecipando alguns problemas." Momentos antes, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, dissera em entrevista no Planalto que o Banco do Brasil também poderia financiar montadoras. Assessores do governo disseram que não há nenhum pacote ou medida nesse sentido, no momento atual. "O presidente admite com clareza que o Banco do Brasil pode atuar no setor de financiamento de automóveis, complementar os financiamentos", disse Aécio, que se encontrou com Lula.BANCO DO BRASILO Banco do Brasil informou que não iria comentar a declaração do presidente, mas adiantou, no entanto, que estuda a compra de carteiras de crédito de financiamento de veículos. O banco já comprou R$ 3 bilhões em carteiras de crédito consignado de outras instituições e negocia agora aquisição de mais R$ 3 bilhões. Nesse grupo, segundo o Banco do Brasil, estão carteiras de veículos.O Banco do Brasil é líder no crédito consignado, mas no mercado de automóveis a sua participação é considerada pequena para o tamanho do banco. O banco entrou nesse mercado há aproximadamente um ano. Segundo o Banco do Brasil, a sua carteira de crédito de veículos é de cerca de R$ 5 bilhões, com a meta de chegar a R$ 6 bilhões no fim do ano. A Medida Provisória nº 443 abre, no entanto, a possibilidade de o Banco do Brasil fazer parcerias com outras instituições financeiras voltadas para o crédito, adquirindo participação. COLABOROU ADRIANA FERNANDES

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