Banco do Brasil quer abrir agência na China

BB também negocia a compra de uma corretora em Cingapura e está perto de comprar um pequeno banco no Estado americano da Flórida

Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

O Banco do Brasil analisa a transformação de seu escritório na China em uma agência bancária que vai prestar serviços às empresas brasileiras que operam naquele país e deve tomar uma decisão sobre isso em entre 90 e 120 dias.

A informação foi dada ao Estado pelo vice-presidente de negócios internacionais e atacado do BB, Allan Toledo. Segundo ele, a transformação permitiria ao banco conceder às empresas brasileiras instaladas na China empréstimos em moeda local.

Toledo explicou que, por enquanto, a estratégia do banco em relação à China se resume a esse movimento. Apesar de ser a segunda maior economia do mundo e cada vez mais importante no mercado global, os passos relativamente tímidos do BB no gigante asiático estão relacionadas à pequena presença de empresas brasileiras por lá.

"Nós temos um grande comércio entre Brasil e China, mas a presença de empresas brasileiras lá é pequena", afirmou o executivo do BB. Outro passo que o banco está dando na Ásia é a negociação de compra de uma corretora em Cingapura.

Mas o principal foco da internacionalização do BB é mesmo o continente americano. Além de estar buscando mais negócios na América Latina, Toledo disse que o Banco do Brasil está próximo de fechar a compra de um banco de pequeno porte no estado americano da Flórida.

Ele admitiu que o BB ficou muito próximo de fechar negócio com um banco daquele estado, mas desistiu ao analisar mais profundamente os dados da instituição e avaliar que o perfil não se adequava ao que o BB gostaria. A negociação com outro banco já está em andamento e o executivo trabalha com a concretização de um negócio até março. "Mas não estamos pressionados pelo tempo. O objetivo é fazer um bom negócio", disse.

Toledo salientou que a estratégia do BB nos EUA é atender a grande comunidade brasileira a partir da compra desse banco na Florida e, a partir daí, decidir se em outras regiões com presença de brasileiros (como Boston, Nova Iorque, Massachusetts, New Jersey e Newark) o BB vai adquirir outra instituição de pequeno porte ou vai promover abertura de agências.

Toledo disse que a compra de um banco é mais barata e gera atendimento mais rápido às necessidades, mas quando se fala de comprar mais de uma instituição, aí o processo de integração de redes pode se tornar complicado.

Com a finalização da compra do argentino Banco Patagônia, que agora só depende do aval do órgão de defesa da concorrência daquele país e da oferta de compra de ações para os acionistas minoritários, o banco brasileiro volta suas baterias para fazer aquisições no Chile, Peru, Colômbia e Equador.

Toledo disse que o BB está analisando opções nesses países, mas não tem nenhuma negociação avançada. "A ideia é ter estruturas para atender as empresas brasileiras que atuam nesses países", afirmou o executivo, destacando que espera já ter alguma negociação concluída ainda no primeiro semestre deste ano.

Em relação ao já adquirido Banco Patagônia, o BB por enquanto não pretende alterar o nome da instituição na Argentina, embora um estudo sobre o assunto tenha sido encomendado.

"No primeiro momento, nossa ideia é manter o nome Patagônia, um banco que tem cerca de um milhão de clientes pessoa física", disse Toledo. Ele salientou que a ideia do BB é de ampliar o escopo de atuação do Patagônia.

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