Banco do Brasil terá agência na China

Até o fim deste ano, instituição espera conseguir autorização para estrear no mercado chinês, onde já tem um escritório desde 2010

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h26

O Banco do Brasil deve receber até o fim deste ano a terceira e última autorização necessária para abrir a primeira agência de um banco brasileiro em Xangai, na China. A instituição está presente no mercado chinês desde 2010 com um escritório de representação. A informação é do executivo Paulo Rogério Caffarelli, vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do BB.

No mês passado, o regulador local, o China Banking Regulatory Commission (CBRC), realizou uma inspeção na unidade do BB e deve encaminhar documento solicitando o início dos negócios à autarquia em Pequim. Feita a análise dos documentos apresentados e do relatório da CBRC-Xangai contendo o resultado da inspeção, o banco poderá receber a licença para funcionamento da agência.

Após obter a última autorização necessária, o BB terá, segundo Caffarelli, um prazo de cerca de seis meses para transformar o escritório em agência. "Temos uma necessidade de crescer na China por causa do volume de negócios que o Brasil vem fazendo com este país. Estamos na metade do caminho para transformar nosso escritório de representação em agência", disse o executivo, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Em seu escritório de representação na China, o BB conta atualmente com 16 colaboradores, entre eles um gerente geral expatriado e 15 funcionários contratados localmente. Para transformá-lo em agência, a instituição deve contratar mais 20 pessoas, segundo Caffarelli.

Além do BB, o Itaú BBA, braço de atacado, tesouraria e investimentos institucionais do Itaú Unibanco, tem operação em Xangai e o Itaú Securities, corretora do conglomerado, mantém uma filial em Hong Kong.

Importância. Os números da balança comercial reforçam a importância da China para os bancos brasileiros. De janeiro a agosto, enquanto as exportações nacionais para os EUA recuaram 13,5% em relação ao mesmo período de 2012, para a China avançaram mais de 9%, na mesma base de comparação, somando quase US$ 32 bilhões. "O volume de exportações que o Brasil fazia para os EUA mudou sobremaneira para a China. Com isso, ela passou a ser de grande atratividade no cenário financeiro para o BB", afirma Caffarelli.

No Japão, o Banco do Brasil está presente há 41 anos, com agências em quatro cidades, subagências em mais três e 55 mil terminais de autoatendimento.

Com a decisão do Itaú de deixar o mercado japonês - informação antecipada pelo Estado na semana passada -, o Banco do Brasil reforçará sua presença no país. Os cerca de 30 clientes do Itaú estão sendo orientados a transferir suas contas para o BB (leia mais ao lado).

Segundo Caffarelli, a instituição também está de olho em outros mercados, com destaque para Peru, Chile e Colômbia e Estados Unidos com foco em varejo. O objetivo da instituição é crescer tanto de maneira orgânica como via aquisições. No entanto, de acordo com o executivo, o momento atual dos mercados tem exigido "mais rigor" na análise de possíveis aquisições.

Em maio, o BB desistiu de comprar a unidade do espanhol Bankia nos EUA, o City National Bank of Florida. Pesou no apetite da instituição pública, conforme fontes ouvidas pelo Broadcast, não só o curto prazo para avaliar os números do banco, mas, principalmente, a prisão do banqueiro espanhol Miguel Blesa, acusado de irregularidades na compra do City, quando ainda era presidente da Caja Madrid.

"Estamos mais rigorosos e conservadores nas análises de aquisições no exterior, mas sem deixar de avaliar oportunidades", afirma Caffarelli, acrescentando que não há uma urgência em relação ao projeto de expansão internacional dado ao contexto global.

O Banco do Brasil tem 50 pontos de atendimento na sua rede no exterior, dos quais 35 são agências. A estratégia de expansão internacional consiste, conforme o vice-presidente do BB, em dar suporte às empresas brasileiras e às multinacionais que fazem negócios com o País.

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