Banco do Brasil vai ampliar crédito, na contramão dos bancos privados

Enquanto Itaú Unibanco, Bradesco e Santander reduzem suas projeções para concessões de financiamentos em 2013, BB eleva sua previsão, para um crescimento entre 17% e 21%, e nega correr maior risco por causa da desaceleração da economia

ALINE BRONZATI E VINICIUS NEDER, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h03

O Banco do Brasil anunciou ontem que vai emprestar mais dinheiro este ano do que havia previsto. Sua nova projeção vem na contramão dos grandes bancos privados, que estão reduzindo suas estimativas de concessão de crédito em 2013.

Segundo o novo cálculo, a oferta de financiamentos pelo Banco do Brasil deve avançar este ano no mínimo 17% e no máximo 21%. A previsão anterior apontava alta de 16% a 20%.

O BB está, segundo o presidente do banco, Aldemir Bendine, atuando na direção contrária do pessimismo e da tendência de desaquecimento da economia. "Temos adotado uma estratégia contracíclica desde 2009. Estamos vendo grandes oportunidades em crédito", destacou ele, em entrevista com a imprensa, durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre.

O anúncio da elevação da oferta de crédito pelo BB ocorreu dias depois de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander anunciarem cortes nas suas previsões, com receio da situação da economia.

O Itaú Unibanco, que tinha a projeção mais conservadora entre os bancos, espera que a oferta de recursos cresça de 8% a 11% em 2013. A previsão anterior era de 11% a 14%. O Santander, que falava em 15%, agora trabalha com a possibilidade de no máximo 10%. O Bradesco espera alta de 11% e 15% em 2013, em comparação com uma previsão anterior de 13% a 17%.

Bendine afirmou que não há risco de piora na carteira de crédito do banco. O banco elevou sua projeção com base numa projeção mais otimista para os segmentos de crédito agrícola e de empresas. "A carteira do BB pela qualidade do risco é muito superior à do mercado. Não temos no curto nem no médio prazo nenhum grande risco corporativo que possa trazer sobressalto para a inadimplência."

O presidente do BB rebateu comentários de analistas que têm apontado esse risco porque a economia brasileira tem crescido pouco. "Se projetássemos o banco de acordo com a visão dos analistas, teríamos quebrado o banco faz tempo."

No segundo trimestre, a inadimplência do BB recuou para 1,87%, ante 2% de março. Embora tenha reduzido a inadimplência, o BB elevou as despesas com provisões (reservas) para devedores duvidosos. Esses gastos chegaram a R$ 4,2 bilhões no fim de junho, 14,8% mais que no mesmo mês de 2012 e 28,7% mais que em março.

Analistas do Credit Suisse destacaram em relatório que o aumento das provisões sinaliza piora na qualidade dos ativos. "Os dados levantam a questão de que podemos estar vendo o início de uma seleção adversa."

Para Bendine, a provisão cresceu por causa do aumento dos volumes de empréstimos, e isso não significa que o banco esteja temeroso com a qualidade do crédito. "A provisão está maior pelos volumes (de financiamentos) e não por deterioração. O crédito é bom e saudável."

Bradesco. O acesso a 'funding' (origem dos recursos) permitirá aos bancos públicos expandir suas carteiras de crédito em ritmo superior aos privados neste ano, mas a estratégia tem limites e, em algum momento, o descompasso entre os dois ritmos de alta diminuirá, avaliou o diretor-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi.

"Os bancos públicos têm a possibilidade, por funding, que os bancos privados não têm, de ter uma política anticíclica um pouco melhor definida", afirmou Trabuco, em intervalo de evento sobre o Bradesco, organizado pela Apimec Rio num hotel em Copacabana.

"Num determinado momento, por limitações do próprio funding que se opera (nas instituições públicas), os bancos privados têm condições de retomar suas fatias de mercado."

Segundo o executivo, a indicação de crescimento da carteira de crédito informada pelo Bradesco, de 11% a 15% neste ano, é "bastante adequada em relação ao crescimento do PIB"./ COM REUTERS

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