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Banco do Brics pode se tornar um rival do Banco Mundial?

Grupo de países em desenvolvimento poderá ter mais autonomia para fugir de medidas de austeridade vinculadas ao FMI

Peter Ford, Christian Science Monitor

17 de julho de 2014 | 15h44

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China e outras quatro nações emergentes criaram seu próprio banco de desenvolvimento e um fundo de reserva para fazer frente ao atual sistema financeiro internacional.

Frustrados pelo fato de o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) não lhes darem mais autoridade dentro das instituições, os cinco países do Brics fundaram um banco com capital de US$ 50 bilhões para financiamento de projetos de infraestrutura e um fundo comum de US$ 100 bilhões para ajudar os membros a enfrentarem crises de liquidez.

O banco, que terá sede em Xangai, constitui o primeiro acordo firmado entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que, juntos, representam um quarto da produção econômica global.

Com o novo banco de desenvolvimento, que começará a realizar empréstimos em 2016, os países em desenvolvimento estão “mostrando sua força” e estabelecendo uma “competição saudável” com o Banco Mundial e o FMI, instituições consideradas insensíveis às prioridades dos países mais pobres, disse Stephany Griffith-Jones, especialista em finanças internacionais na Universidade de Colúmbia, Nova York.

Em contraposição aos esforços de Pequim, durante os dois anos de negociação, para assegurar uma posição dominante da China no novo banco, os líderes do Brics anunciaram na terça-feira em sua reunião de cúpula em Fortaleza, que os cinco países contribuirão em partes iguais para a capitalização do banco.

“Esta não é uma hegemonia”, afirmou a presidente Dilma Rousseff, explicando que um indiano será o primeiro a ocupar a presidência rotativa do novo banco. E deve demorar 15 anos até a China assumir esse posto.

A China convenceu Brasil e Índia a que a sede da instituição fique em Xangai. “O fato é que Xangai é um centro financeiro, uma cidade internacional e a China tem muita experiência na criação de infraestrutura, e é a isso que o banco se destina principalmente”, disse Zhu Jiejin, professor no Center for Brics Studies na Universidade de Fudan, em Xangai.

Pequim terá mais influência no fundo de reserva criado, para o qual contribuirá com US$ 41 bilhões do total de US$ 100 bilhões. A África do Sul entrará com US$ 5 bilhões e os outros três países com US$ 18 bilhões cada um. O fundo será usado para escorar crises de balanças de pagamentos que os países em desenvolvimento poderão enfrentar no caso de aumento das taxas de juro nos Estados que desencadeariam saídas de capital dos mercados emergentes.

A China não deverá ter dificuldades neste aspecto. O país tem quase US$ 4 trilhões de reservas cambiais. Os países em desenvolvimento se queixam de que os empréstimos de emergência do FMI são sempre vinculados a medidas de austeridade severas que implicam riscos políticos e nem sempre são apropriadas. O novo banco de desenvolvimento dará mais atenção às preocupações dos seus clientes.

Os líderes do Brics estão “desapontados e seriamente preocupados” com o fato de o FMI não ter implementado reformas na sua governança, acertadas em 2010 para melhor refletir a força econômica de países emergentes. O Congresso dos Estados Unidos recusou-se a ratificar essas reformas.

O novo banco terá em torno de 2036 capacidade de emprestar US$ 34 bilhões ao ano, desde que esteja adequadamente capitalizado, de acordo com estudo das Nações Unidas publicado em março escrito por Stephany Griffith-Jones. / Tradução de Terezinha Martino

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