Banco dos EUA crê na recuperação da bolsa de São Paulo

O estrategista-chefe de bolsas para América Latina do banco norte-americano Salomon Smith Barney, Geoffrey Dennis, acredita que uma recuperação mais forte da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda vá demorar quatro a cinco semanas. O Salomon mantém uma recomendação "neutra" para a bolsa brasileira. "Mas uma chance concreta de melhora forte do mercado acionário no Brasil pode acontecer no médio prazo, ou demorar ainda mais quatro a cinco semanas, pois a bolsa brasileira precisa de um câmbio estabilizado", disse Dennis à Agência Estado.Isso porque, segundo ele, as condições para isso não devem se materializar dentro de algumas semanas, embora Dennis acredite que o real já esteja bastante próximo do piso máximo de baixa. "É preciso uma melhora grande nas intenções de voto de José Serra (PSDB-PMDB) nas pesquisas eleitorais. Segundo requisito seria um novo pacote do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas acho que isso será improvável de acontecer antes das eleições", afirmou.Dennis espera, no entanto, declarações de apoio do FMI e do Tesouro norte-americano no curto prazo, provavelmente como resultado da viagem da missão de autoridades brasileiras a Washington. O fato de a Bovespa estar subindo um pouco hoje, segundo Dennis, é porque há investidores apostando em ações que apresentam elevado "beta" (bastante voláteis, ou seja, sobem ou caem muito mais do que a média do mercado), pois consideram que essas ações estão sendo muito vendidas no curto prazo. Ações com elevado "beta" são as de telecomunicações ou do setor elétrico."Nem todo mundo está vendendo a moeda ou o mercado brasileiro. Boa parte dos investidores está assumindo posições defensivas, mas há quem também esteja apostando em ações de elevado beta", afirmou Dennis. Ele acredita que a Bovespa está refletindo fenômeno semelhante ao que ocorreu na Argentina, quando os investidores locais se tornaram bastante negativos em relação à economia do País e à possibilidade de um calote. "Os investidores locais estão correndo para os ativos reais", disse.Segundo ele, esse movimento está ocorrendo por dois motivos. O primeiro é que os investidores estão comprando ações consideradas defensivas e protegidas da oscilação do câmbio, como as dos setores de papel e celulose, mineração e siderurgia, como forma de aplicar o dinheiro no curto prazo como alternativa à aplicação em dívida ou em real. O outro motivo é que para quem acredita que o País caminha para o cenário mais pessimista, como o calote, as ações são o ativo real preferido dos investidores.Na Argentina, os investidores compraram ações locais e transferiram para American Depositary Receipts (ADRs) como forma de fugir de ativos em moeda local. "Não tenho evidência alguma de que isso esteja ocorrendo no Brasil, mas esse movimento é certamente possível de acontecer", disse o estrategista do Salomon.Na opinião dele, o principal problema no momento é o que pode acontecer para estabilizar o real de forma sustentável. "Há três medidas que podem trazer o real para um nível melhor no curto prazo, mas não acho que nenhuma delas parecem atrativas no momento", disse. Segundo ele, esses fatores são: 1) maior intervenção do BC no mercado de câmbio. "O que não funcionou até agora. E há um limite para intervenção por causa do nível das reservas", disse. 2) vender mais papéis indexados ao dólar. "É uma estratégia de risco elevado no curto prazo", disse. 3) elevar a taxa Selic. "Mas essa opção não é fácil politicamente porque afetaria a campanha de José Serra", afirmou Dennis.

Agencia Estado,

30 de julho de 2002 | 15h36

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